Rainha dos Santos


O texto que segue abaixo foi escrito pelo meu amigo Tiago Miziara, e eu resolvi usá-lo como um prólogo para o nosso próximo tema: as impressionantes aparições da Virgem Maria em Fátima. Portugal – o maior e mais tremendo caso de Teofania da História moderna. Acho importante esclarecer que eu não pretendo, com esta série de posts sobre as aparições da Virgem Maria, convencer a quem quer que seja a respeito da veracidade dos fenômenos em si, até porque a bibliografia sobre o assunto é vasta, o material para pesquisa está à disposição, e com um pouco de boa vontade e esforço, os interessados poderão atingir uma compreensão mais aprofundada do tema. A intenção também não é uma pregação religiosa nem uma defesa deste ou daquele ponto de vista teológico. O objetivo é trazer os fatos. Apenas isto. Ocorrências supranaturais legítimas como estas, e assim tão grandiosas, sem dúvida merecem espaço em qualquer sítio ou publicação séria que se proponha a tratar de espiritualidade. Também devo acrescentar que o momento atual me parece especialmente oportuno para abordar o assunto. Os fenômenos são reais e foram soberbamente estudados, sob as mais diversas perspectivas (filosóficas, religiosas, científicas...), ao longo dos anos. Até hoje, a ciência não conseguiu apresentar nenhuma explicação natural convincente para eles.

O meu propósito aqui é o de apenas apresentar os fatos para que cada um possa chegar às suas próprias conclusões - a respeito destes intrigantes fenômenos, e também, principalmente, do seu real significado. O texto a seguir foi escrito por um católico. O que se justifica, já que os referidos fenômenos ocorreram (e ocorrem) quase que exclusivamente em ambiente cristão católico.


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Maria, Rainha dos santos

Em âmbito cristão, quando o assunto é Maria, os ânimos sempre se exaltam e sempre há discussões... isso se dá por um motivo óbvio - a relação filial dos católicos com Maria é tão intensa que pode em alguns casos chega a "tampar", na devoção popular, o brilho da verdadeira Luz, que é o PAI. Mas, por que Maria é assunto tão controverso?

Tal fato se deve à crença de que Maria não é uma santa comum, mas sim a designada, desde o princípio dos tempos, a ser a Rainha de todos os santos, rainha dos homens e dos anjos, pois Maria faz parte do plano da Salvação de seu Filho Jesus, o Cristo. Ela é a mulher do início, do meio e do fim dos tempos... a nova mulher... a nova EVA. A primeira criação de Deus se tornou rebelde (e por Eva veio o pecado). Mas Deus prometeu à serpente: "A mulher pisará tua cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar... e colocarei inimizade entre a tua geração e a dela".

Pela primeira mulher, Eva, veio o pecado. Por Maria nos vem a graça e a salvação. Maria, portanto, é a nova Eva... a verdadeira Eva. Verdadeira Rainha - no livro do Apocalipse, Maria é tratada como Rainha e sua realeza é celeste: "Surgiu um grande sinal no céu, uma mulher vestida de sol, a lua debaixo dos pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas..." Portanto, Maria é a mulher dos desígnios de Deus, destinada desde sempre a ser o sacrário vivo de Deus, habitação tanto do ESPÍRITO quanto do FILHO (o novo Adão). Honra e felicidade teve o anjo em sua presença a afirmar "RAIRA MARIA, KERRARITOMÉNE... KYRIUS META SU!" (Ave Maria, és cheia de Graça, pois o Senhor é dentro de ti). Veja que as traduções tradicionais não trazem a certeza da presença de Deus em Maria: "O senhor está contigo" é diferente do original grego que diz KYRIUS (SENHOR) META (internamente, profundamente, intrinsecamente) SU (você, tu). O Senhor está em ti. Foi isso que o anjo disse.

Observe que foi apenas uma saudação; Maria ainda não se encontrava Grávida do Cristo, logo essa passagem sequer se referia à presença de Cristo em seu ventre (como muitos pensam). Deus, na sua infinita bondade e misericórdia, não podou o livre arbítrio de Maria, mas fez um convite à sua serva. Maria quis participar dos planos de Deus por sua própria vontade. E foi o seu SIM, a sua vontade que permitiu que o plano da Salvação se concretizasse. É por isso que ela é a bem-aventurada, pois confiou nas promessas de Deus e agiu conforme sua Vontade e seus Desígnios. Ela é o modelo perfeito de pureza e servidão - mesmo sendo a criatura mais importante entre as criaturas, pouco é falado sobre ela nas escrituras... Se quisermos ter mais acesso, é possível ler o Alcorão, onde há muito mais sobre Maria do que na própria Bíblia sagrada.

Concluindo: por que Maria é motivo de tanta controvérsia? Lembrem-se dos postulados das Igrejas cristãs sobre os espíritos (especialmente no que diz respeito a não tentarmos buscar comunicação com os mortos). Maria tem se comunicado com a humanidade desde os primeiros tempos pós-morte de Cristo. Mas suas aparições são mais do que aparições de espíritos, pois são indubitavelmente reais (vêm acompanhadas de numerosas e incontestáveis evidências e provas inclusive no âmbito material) e trazem consigo até mesmo um caráter coletivo (várias pessoas presenciam a aparição conjuntamente, independente da ação de médiuns ou ‘pais de santo’). As constantes aparições fizeram com que a Igreja reformulasse o dogma da comunicação com os mortos, ou postulasse um novo Dogma...

Baseada nas diversas e abundantes evidências de aparições através dos séculos, a Igreja postulou um Dogma que dá origem a controvérsias até hoje: a Assunção de Maria (Assunção significa que ela foi arrebatada, elevada aos céus pelo poder de Deus, diferente da Ascensão de Jesus Cristo, que significa que ele, por sua própria vontade, elevou-se de volta aos céus de onde viera para cumprir sua missão). Em algumas passagens bíblicas, Cristo dá a entender que um dia voltaria para buscar sua Mãe. Partindo-se do pressuposto que Deus cumpre suas promessas (ela própria diz no ‘Magnificat’: "as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque serão realizadas as promessas que me foram confiadas por Deus"), Maria pode mesmo ter sido arrebatada (a exemplo do profeta Elias, que não morreu, mas foi levado aos céus por uma carruagem maravilhosa), como antecipação da salvação futura... A igreja acredita que MARIA é o exemplo único de criatura humana que prova, de corpo e alma, da presença de Deus. Dessa forma, a Igreja acredita que o poder de Deus preservou Maria da morte e ela vive, assim como seu Filho, o Cristo, na Bem Aventurança Eterna... É por isso que até hoje, Maria aparece pela Terra, aconselhando e pedindo conversão, vigília e oração.

Particularmente interessante é notar que, há na História conhecimento das tumbas e dos relatos de todos os lugares onde os santos morreram e foram sepultados. Mas quando a questão é Maria, não há nada... Nenhum registro histórico de morte, sepultamento ou coisa do tipo. É como se ela tivesse sumido da Terra da noite para o dia... Uma de suas primeiras aparições se deu 70 anos depois de Cristo e ao que tudo indica, Maria não foi interpretada como um espírito, mas como ela mesma aparecendo ainda viva...


A Virgem Maria é uma só - a mãe de Jesus Cristo - mas cada nação, tradicionalmente, cultiva sua visão própria. Além disso, em cada uma de suas aparições, ela se manifestou sob diferentes formas. Daí os muitos títulos e formas com as quais é representada. Acima, uma curiosa concepção da Virgem Maria numa versão asiática, encomendada a um artista de uma comunidade cristã chinesa, intitulada "Nossa Senhora de Peking"