Guia prático do buscador

Continuo a falar de alguns princípios essenciais que eu descobri há muito tempo, quando ainda era um buscador desesperado, querendo encontrar a Verdade hoje, agora JÁ!.. É que uma das primeiras coisas que eu entendi, quando comecei a me importar com espiritualidade, foi que o único dia real é hoje, e o único momento que existe é o agora. Isso muito antes do Eckhart Tolle lançar o seu livro “O Poder do Agora”, no qual se propôs a dissertar, didaticamente, sobre esse princípio básico dos verdadeiros buscadores. Segue mais um trecho (do ano de 2004) de um dos meus cadernos de anotações, onde escrevia, quase que diariamente, montando uma espécie de "guia prático" para me orientar no dia-a-dia, para não me esquecer das descobertas feitas e etc.




Onde está a Busca verdadeira? A que caminhos ela leva? Ícones da erudição humana em todos os campos da filosofia e da religião chegaram a uma só conclusão: O meio termo é igual à sensatez. Santo Agostinho, o "doutor da Igreja", demonstrou ter compreendido que a virtude está longe dos extremos. O Buda diz que "se esticarmos demais a corda, ela arrebenta, e se a deixarmos muito frouxa, não será capaz de produzir música". A Bíblia nos exorta: "Não declines nem para a direita e nem para a esquerda; retira o teu pé do mal” (Provérbios 4:23-27). - Se eu não me desvio nem para a esquerda e nem para a direita, só resta um caminho a ser seguido: obviamente, o do meio - o mesmo que ensinaram Sócrates e o Tao...

De fato, observo que um grande mal do homem é o extremismo. Ele tende sempre aos extremos. Ou a se tornar um fanático religioso fundamentalista, ou a não crer em nada, repudiando até mesmo à possibilidade da existência das coisas ditas espirituais. Mas há Verdade nas religiões dogmáticas? Qual o significado dos rituais? A ciência dos homens é totalmente confiável? E o mais intrigante: posso eu descobrir todas estas respostas? O que devo tentar entender primeiro, se é que devo fazê-lo: se há um DEUS, ou quem é este DEUS? Minha conclusão se compõe mais de perguntas do que de respostas, e talvez seja assim para sempre.

Quando eu nada sabia a respeito de DEUS, Ele para mim era apenas... Deus. Quando eu comecei a buscar, Ele deixou de ser, para mim, apenas Deus. Agora, depois de tê-Lo buscado por muitos lugares e em muitas doutrinas, fora e também, principalmente, dentro de mim; entendo que Deus continua sendo... apenas DEUS.

Digo "apenas" no sentido de "apenas isto", porque nada além disto eu posso compreender. A única apreensão que me chega de Deus é que Deus é DEUS. Dentre os precários avanços que consegui até aqui, e que terão de ser meu ponto de partida (porque não há nada mais), está o entendimento de que a Verdade está longe dos extremos. E que por isso é preciso ter calma. Não devo ter medo. É preciso olhar para fora e para dentro de mim, com muita calma; e com muita sinceridade. Não devo inventar, para mim mesmo, preceitos e formas daquilo que eu não conheci verdadeiramente.

A partir de agora vou incorporar este novo aprendizado ao que eu já tinha compreendido anteriormente. Um destes meus importantes aprendizados, talvez o prinicipal, é o de que a melhor maneira para "viver bem", em todos os sentidos, é cultivando o Amor. Se eu puder olhar para tudo e todos, e também para mim mesmo, com um sentimento amoroso, puro e verdadeiro, então serei mais feliz; e penso que as respostas estarão mais próximas. E isto tem a ver, também, com um outro princípio básico cuja importância eu já confirmei na minha experiência pessoal: devo manter a minha mente, tanto quanto possível, no momento presente.

Manter-me no caminho do meio é uma arte essencial dentro da grande Arte da Busca: Viver com paz, sabendo que nada sei. Aceitar meus limites, porque decisão contrária pode levar à loucura. Tudo que posso fazer é simplesmente tentar viver da melhor maneira que eu puder, consciente de que não posso, porque sou humanamente limitado, apreender (entender), ao menos integralmente, aquela Verdade última, o que significaria alcançar, enfim, a realização, a sonhada Paz e a perfeita Liberdade. Isto não deve significar acomodamento, porém uma rendição diante da sensatez, como aconselham as principais tradições religiosas, como na doutrina do "Caminho do Meio” e como aconselha São Paulo numa carta, dizendo que o vaso não pergunta ao oleiro porque o faz da forma como faz. Isto é viver um dia de cada vez, como propôs Jesus. E isto é viver no momento presente. Em outras palavras, a aceitação é uma condição necessária à manutenção de uma vida espiritual sadia.


Escrito em 01.09.2004.