Há o mal? - parte 3




Continuação do relato de Rita Klaus ao escritor e repórter investigativo Randall Sullivan, da revista "Rollig Stone" e do "Men’s Journal".

”Então é aí que começa a história que eu quero lhe contar, e que ocorreu mais ou menos um ano depois da cura dos meus males físicos, numa noite em que eu e meu marido estávamos na cama. Eu estava dormindo, e de repente acordei com uma forte pressão no meu braço. Era o meu marido. Ele estava praticamente impedindo o meu sangue de circular, tão forte era o aperto no meu braço. E a respiração dele estava estranha. Ele estava ofegante; desesperado. Eu disse então: ‘Ron, o que está acontecendo?’ não houve resposta. Então acendi a luz e fiquei apavorada quando o vi. Os olhos dele tinham literalmente saltado para fora. Era como se algo horrível lhe tivesse acontecido e ele estivesse explodindo por dentro. Ele continuava ofegante, como se respirar fosse cada vez mais difícil. E então comecei a rezar, implorando a Deus que o salvasse, fosse do que fosse. Uns cinco minutos depois, ele pulou da cama e correu para o banheiro.

E se pôs diante do espelho; ele estava totalmente cinza! Eu queria chamar o médico, mas ele disse: ‘Não, me dê alguns minutos’. Ele estava ainda com a respiração entrecortada e tinha dificuldade em falar. Por fim, disse: ‘Você não vai acreditar se eu lhe contar o que aconteceu’. E eu então disse: ‘Vou sim, me conte logo!’ E ele disse: ‘Eu acordei e senti uma pressão horrível no peito. Achei que estava tendo um ataque cardíaco, e então abri os olhos. E havia um enorme cachorro negro sentado no meu peito, de olhos vermelhos como fogo...’ E continuou: ‘E não era nenhum sonho. Pode crer, eu estava acordado, não estava dormindo. Nunca estive tão acordado na minha vida’.

Na noite seguinte, aconteceu a mesma coisa. E na outra também. Na quarta, ele se recusou a ir para a cama, e me disse que ele simplesmente não dormiria. Eu não compreendia o que estava acontecendo. E continuei a rezar, mas achei que poderia ser a pressão causada pelo interesse excessivo dos outros, pelas mudanças, por ele temer que eu tivesse uma recaída. A única coisa que ele disse quando comecei a rezar foi que estava sentindo ‘aquilo’ ir embora. Então, depois chamei um padre, um grande amigo meu, e lhe contei o que estava acontecendo. Ele disse: ‘Quando você for se deitar, jogue água benta em sua cama. Vou lhe dar a água’. Mas passou quase uma semana antes que meu marido voltasse a subir para se deitar na cama. Ele se deitava n sofá, mas, quando adormecia, o mal acontecia de novo.

Afinal, ele disse: ‘Eu já sei o que é. É o Diabo. Ele realmente existe. Eu duvidava. Eu duvidava de tudo. Duvidava até da sua cura, Rita. Mas agora não duvido de mais nada. Que outra coisa poderia deixar o diabo tão zangado, a não ser a sua cura?’ E meu marido sempre me disse que, ao seu ver, o Diabo estava tentando jogá-lo contra mim. O mais espantoso foi que assim que o meu marido aceitou a idéia de que aquele bicho era Satanás, Satanás o deixou em paz. Mas ele não foi embora - começou a atormentar os meus filhos. A minha menor, Ellen, que estava então com sete anos, me contou: ‘Mamãe, tem um cachorro esquisito que desce a escada atrás de mim’. Achei que poderia ser o nosso cão, Matty, mas ela disse: ‘Não, não é o Matty. É um cachorro grande. E tem os olhos vermelhos!’

Nós tínhamos nos preocupado muito em não dizer nada às crianças sobre o que estava acontecendo com meu marido, porque não queríamos amedrontá-las. Perguntei à minha filha quando e onde ela havia visto esse cachorro. Ela respondeu: ‘Às vezes ele está me olhando do outro quarto’. E disse mais: ‘Quando esse cachorro está aqui, o Matty não entra’. E Matty estava realmente estranho, rosnando e choramingando pelos cantos.

Isso tudo estava acontecendo na última semana de outubro de 1992. Nessa ocasião, eu estava me preparando para ir a Boston trabalhar no
meu livro. As pessoas não paravam de me pedir: ‘Por favor, escreva a sua história! Você não pode conversar com todo mundo...’ Por fim, concordei: ‘Está certo, o próximo editor que me procurar, eu aceito’. E assim fiz. Gravei o máximo de informações que pude, mas então eu deveria ir a Boston e começar a trabalhar com o editor.

Aquela era a semana do Halloween, e as minhas duas filhas mais velhas queriam dar uma festa no domingo anterior ao festejo. Eu disse que tudo bem, mas uma das meninas que elas convidaram levou um daqueles tabuleiros próprios para sessões mediúnicas ou telepáticas. Minhas filhas carregaram-no, sorrateiramente, para cima, porque sabiam que eu não permitiria o uso dele em nossa casa. E também levaram um candeeiro a óleo que eu tinha, um desses que têm um globo de vidro. Apagaram todas as luzes e começaram a fazer perguntas do tipo: ‘Com quem eu vou me casar? Quantos filhos vou ter?’

Mas então minha filha Ellen, que é muito inteligente, perguntou: ‘Minha vida vai ser feliz?’ E ela virou o ponteiro que havia no tabuleiro para baixo, e ele começou a se mexer sozinho. Primeiro, ele deu uma volta e tocou no ‘Sim’, depois voltou e tocou no ‘Não’. E as meninas, sem tocá-lo, fizeram ‘Aaahh!’ Por fim, minha filha perguntou: ‘Quem é você?’ E o ponteiro parou no ponto de interrogação. Então elas tiveram uma idéia. Com um pedaço de esparadrapo, grudaram um lápis no ponteiro. E então puseram o ponteiro sobre uma folha de papel em branco. E depois disseram: ‘Identifique-se’. E o ponteiro voltou a se mexer. Elas acharam que o lápis estava escrevendo, mas era um desenho. Depois, de repente, o candeeiro explodiu, a chama foi até o teto, chamuscando-o. ouvimos uma gritaria aterrorizante, um tropel de passos descendo a escada, a porta da frente se abrindo e uma grande algazarra, enquanto elas corriam para fora. Achamos que as meninas estavam apenas se divertindo, mas depois ouvimos choros e soluços.

Então saímos e as vimos paradas no jardim. Eu disse: ‘O que vocês fizeram? Ficaram metendo medo umas às outras, com histórias de fantasmas?’ E pedi que entrassem, mas elas não entraram. Minhas filhas então disseram: ‘Mamãe, não vá lá em cima’. Por fim, consegui que voltassem para dentro de casa, mas elas continuavam a chorar e a tremer. Pouco depois, me contaram o que tinha acontecido, mas as palavras saíam confusas. Meu marido tentou convencê-las de que estavam imaginando tudo aquilo. Afinal, Ellen disse: ‘Já sei. Vai lá em cima e pega o papel que está no tabuleiro'. Meu marido subiu sozinho e voltou com o tabuleiro, o ponteiro e o papel. E disse: ‘Foi isso que apavorou vocês? Quem desenhou isto?’ E elas disseram: ‘Desenhou? O que está aí não é um nome?’ E Ron respondeu: ‘Não, aqui há um desenho, mas muito apagado.’ Então acendemos a lâmpada, e, com o papel sob o foco da luz, pudemos ver o desenho nitidamente. Era a figura de um demônio. Mas não um Satanás que tivesse sido desenhado por uma criança. Era um desenho minucioso: um homem sentado numa pedra grande, de barba, chifres, pernas cruzadas cascos fendidos, e, no rosto, uma careta horrorosa.

Ron levou o tabuleiro, o ponteiro e o papel para fora, e queimou tudo na presença delas. Só que as amigas das minhas filhas continuavam histéricas. Então elas ligaram para os pais e pediram que eles fossem apanhá-las. E disseram: ‘Nós não vamos passar a noite aqui. Esta casa é esquisita’. Elas saíram ainda em prantos, e minhas filhas também estavam chorando.

Os dias que se seguiram foram um verdadeiro inferno. Aquela coisa estava dentro de casa. Todos nós dormimos no térreo, nos sofás. Na noite seguinte, às duas da manhã,m ouvimos um baque horrível, uma pancada como nunca tínhamos ouvido. E depois um choro. Ron corre e encontra nossa filha Heidi, então com 15 anos, como se estivesse imprensada contra a parede, sem poder se mexer. Heidi disse: ‘Mãe, é aquela coisa! Primeiro, estava junto da porta, e ficou olhando para mim’. Perguntei: ‘Era o cachorro de novo?’ Ela disse: ‘Não, isso se parecia mais com um homem, mas não era’. Ela disse que isso era escuro, e tinha olhos vermelhos como o cachorro, mas parecia uma pessoa. E continuou: ‘Fiquei tão apavorada que não podia nem gritar. Então ele subiu na cama e foi para cima do meu peito. E começou a dizer palavrões horríveis, que alguns eu nem sabia o que significavam’. Minha filha, disse: ‘Então ele me disse que ia enterrar minha alma no inferno’. Heidi explicou que ele falava com ela sem usar a voz. E ela disse para aquilo: ‘Eu não quero ir para o inferno’. E ele: ‘Quando eu fizer o serviço todo, você vai querer ir para o inferno’. E ela contou: ‘Então ele me pegou pelos calcanhares e rodou comigo pelo quarto e me atirou contra a parede’. Ela estava machucada, bem machucada.

Eu pensei: ‘Isso não pode estar acontecendo’. Era como se estivéssemos na Idade Média! Telefonei para o padre meu amigo. E ele fez pouco caso do que eu disse, no início: ‘Por que você não larga um pouco dessa história, tenho certeza que isso não vai continuar’. Então tentei seguir esse conselho. Na noite seguinte, porém, aconteceu a mesma coisa. Então liguei para o padre Glen e disse: ‘Eu realmente estou precisando de ajuda’. Ele foi lá em casa e interrogou as meninas. Então Ron lhe contou o que se passou com ele. E o padre Glen disse: ‘Eu acredito’. E depois perguntou: ‘O que você está fazendo que incomoda tanto Satanás?’ Respondi: ‘Eu deveria ir a Boston trabalhar no meu livro’. O padre disse: ‘Então é por isso que essas coisas estão acontecendo! Você precisa mostrar a Satanás que não vai desistir por medo. Quando ele compreender isso, vai deixá-la em paz.’ Meu marido me disse: ‘Você tem de trabalhar no livro’. Então eu fui, com muita ansiedade e depois de rogar muito a Jesus pelo nosso bem estar. Pedi que o padre Glen ficasse lá em casa, e pusemos medalhas de São Bento por toda parte.

Cheguei a Boston e fui para Cape, onde meu editor mora. Liguei para minha casa e me disseram que estava tudo tranqüilo. Daquele dia em diante, não tivemos mais problemas. A única conseqüência desagradável foi que as duas meninas que tinham estado lá naquela noite contaram para todo mundo. Então foi aquela boataria. Até os professores da escola pública das minhas filhas lhes disseram: ‘Vocês sabem, pode ser que sua mãe não esteja muito bem. Ouvimos falar do que aconteceu na sua casa. A sua mãe tem poderes mediúnicos?..’ Mas o que nós poderíamos dizer? Tínhamos que nos conformar com isso...”



Esta foi a conclusão do relato de Rita Klaus. Podemos aprender alguma coisa com ele? Além de assustador, ele pode nos ser útil de algum modo? Pode nos ajudar a entender alguma coisa sobre o mal? Perguntas... Mas há ainda alguns fatos importantes que eu não poderia deixar de citar, antes de encerrar, por hora, este assunto:

Particularmente interessante é a similaridade que existe entre o relato do marido de Rita, sendo acordando no meio da noite por uma presença terrível, na forma de um cão maligno, sentado em seu peito e o encarando fixamente, e outros casos ocorridos em lugares diferentes. Um outro livro bem interessante, é “Matrix - Bem Vindo ao Deserto do Real” (Editora Madras) - uma coletânea de textos escritos por diversos expoentes da ciência, física, filosofia e espiritualidade. Eu já o tinha folheado na livraria e até lido alguns trechos, mas não me chamou tanto a atenção num primeiro momento. Recentemente, porém, e justamente no momento em que estava começando a esboçar esse post, por coincidência(?) minha leitora-amiga “Fiat Lux” me enviou por email um resumo da obra, e foi assim que eu tomei conhecimento de um fato muito intrigante.

Neste livro, a renomada mestra em filosofia, Carolyn Korsmeyer, autora do antológico “Gender and Aesthetics”, nos traz uma desconcertante informação. Segue um pequeno trecho:

“Korsmeyer lembra a morte misteriosa de 120 pessoas no Laos e que aconteceram enquanto as vítimas dormiam. Nenhuma causa médica foi determinada e a doença ficou conhecida como ‘Síndrome da Morte Noturna Súbita Inexplicável’. As vítimas sobreviventes relatavam um terror paralisante e a sensação de que uma criatura maligna se sentava sobre o seu peito. O episódio levantou hipóteses perturbadoras...”

O diretor Scott Derrickson e os roteiristas Paul Harris Boardman e Scott Derrickson, do filme ”O Exorcismo de Emily Rose” queriam apenas fazer um filme de terror realmente assustador, e sabiam que nada assusta mais as pessoas do que saber que a história na telona é baseada em fatos reais. Se você sabe que realmente aconteceu, o terror é muito maior. É incômodo saber que se está assistindo não apenas boas interpretações e efeitos especiais elaborados, mas uma reconstituição de algo real, que realmente aconteceu, e portanto poderia acontecer com qualquer um, inclusive com você mesmo. Pois bem, a idéia era essa. Acontece que, quando os roteiristas, declaradamente céticos, se propuseram a uma pesquisa aprofundada sobre o tema “possessões demoníacas”, tiveram suas próprias convicções desafiadas, e, segundo a palavra de um deles, precisou de meses de terapia para se refazer do choque dessa experiência - descobrir que as histórias de possessões são muito mais reais do que ele jamais poderia supor. O material para pesquisa sobre o assunto é vastíssimo, repleto de comprovações e evidências claras o suficiente para deixar um cético convicto muito abalado, se ele se aprofundar na investigação com verdadeiro espírito científico. Para quem se interessar, o DVD da “edição especial” traz entrevistas com o diretor, produtores e roteiristas falando sobre este assunto.

Desde que comecei a escrever esse post em 4 partes, eu fiquei três noites inteiras sem dormir. Estou sofrendo com dores de cabeça e náuseas que não têm explicação aparente. E, desde a sexta-feira, dia 31 eu não consigo abrir o blogger no meu computador. Foi por isso que não pude cumprir a minha palavra e publicar esta seqüência no sábado, conorme tinha planejado. Provavelmente é algum "cavalo de tróia" que o Windows Care não está conseguindo detectar. Em todo caso, falar sobre este assunto nunca foi fácil.

Na sequência, a parte final: um testemunho pessoal meu. Isso já está escrito e eu pretendo publicar amanhã, se tudo der certo. Até.