Carl Gustav Jung


A partir deste post, começo a realizar um sonho antigo, o de falar sobre um homem que eu admiro muitíssimo. Um revolucionário, um questionador por natureza, verdadeiro ícone que eu estudo há muito tempo, e de quem nunca poderia falar o suficiente, neste blog...

Carl Gustav Jung foi, segundo muitos experts, o maior psiquiatra do mundo em todos os tempos. Fundador da Escola Analítica de Psicologia, foi o descobridor de diversos dos conceitos fundamentais que são usados hoje, como "Extroversão", "Introversão" e o revolucionário "Inconsciente Coletivo".

Jung interpretou diversos distúrbios mentais e emocionais como uma tentativa do individuo de buscar a perfeição pessoal e espiritual, da qual tinha opiniões que estavam muito à frente do seu tempo.


Breve resumo biográfico

Jung nasceu em 26 de julho de 1875, no vilarejo de Kesswil, na Suíça. Era o filho mais velho (e o único a sobreviver) de Jean Paul Achille, pastor protestante, e Emilie Achille, dada aos assuntos místicos. Ele tinha ainda oito tios que também eram pastores. Esse contato com religião e misticismo influenciou profundamente seu trabalho. Quando Jung era criança, sua mãe desenvolveu um distúrbio nervoso, provavelmente por conseqüência das dificuldades que enfrentava em seu casamento, e foi hospitalizada por alguns meses.

Jung foi uma criança muito solitária. Sua família mudou-se diversas vezes durante sua infância, e sua irmã nasceu apenas quando ele já estava com nove anos. Assim, ele acabou desenvolvendo uma tendência a sonhar e fantasiar. Suas experiências de infância se tornaram grande influência em seu trabalho. Durante anos sofreu de pseudo-crupe (laringo-tráquéobronquite); machucava-se constantemente. Algumas versões da sua biografia dizem que ele teria, inconscientemente, tentado o suicídio, quando escorregou pelas frestas de uma ponte sobre um precipício. Sua babá o salvou. Passou sua adolescência convivendo em meio a conflitos religiosos, e foi encontrar consolo nos estudos da Filosofia.

Após terminar a escola, Jung entrou para a Universidade de Basil, e, em 1902 formou-se em medicina, com um amplo conhecimento em biologia, zoologia, paleontologia e arqueologia. Mas ainda antes da sua formação, teve seu interesse voltado para o mundo misterioso dos fenômenos transpessoais. Dois eventos inexplicáveis ocorridos em sua casa foram a gota d’água para que o calouro de medicina acreditasse que tais sinais eram um explícito chamado do Além. Uma resistente mesa de nogueira se partiu ao meio e uma faca espatifou-se em quatro pedaços! Nos dois casos, Jung e a família materna não conseguiram outra explicação para os estranhos acontecimentos a não ser a decidida intromissão do sobrenatural na rotineira realidade de suas vidas.

Em 1903, Jung casou-se com Emma Rauschenbach, que o ajudou em seu trabalho até vir a falecer, em 1955.

Jung acompanhava de perto as publicações de Freud. Em 1905, tornou-se professor de psiquiatria da Universidade de Zurich, na mesma época em que ocupava o cargo de médico superior em uma clínica psiquiátrica. Jung conduziu uma pesquisa que visava o estudo das reações da psique de pacientes mentais, dando início ao seu trabalho sobre associação de palavras. Nesta experiência, apresentava uma lista de palavras, uma por vez, e o paciente tinha que responder com a primeira palavra que lhe viesse em sua mente. Caso o paciente hesitasse indevidamente antes de responder ou expressasse uma emoção, isso indicava que a palavra revelava o que Jung chamava de “complexo” do indivíduo – termo (mais um cunhado por ele) que a partir de então se tornou universal.

Os estudos de Jung sobre os complexos lhe trouxeram reconhecimento mundial. Publicou trabalhos a respeito do assunto e um livro chamado “A Psicologia da Demência Precoce”, no qual apoiava algumas das teorias de Freud. Quando Freud entrou em contato com o trabalho de Jung, em 1907, o convidou para visitá-lo em Viena. O encontro deu início a uma grande amizade profissional e pessoal que durou cerca de seis anos. Freud via em Jung seu sucessor, a pessoa que pudesse dar continuidade às suas idéias, tendo inclusive o chamado de filho, em uma carta.

Em 1912, por insistência de Freud, Jung tornou-se presidente da Sociedade Psicanalítica Internacional. Mas, apesar da amizade, Jung não adotou várias das teorias de Freud, especialmente a de que os problemas sexuais são a base para todas as neuroses; nem a visão do "complexo de Édipo". Jung tinha sua própria (e revolucionária) linha de pensamento, e em 1914, devido às divergências de opiniões, Freud e Jung se afastaram. Jung desistiu da presidência da Sociedade Internacional de Psicanálise e co-fundou o movimento chamado "Psicologia Analítica".

A partir daí Jung desenvolveu suas teorias, baseando-se na Mitologia, na História, em viagens ao redor do mundo e nas suas próprias fantasias e sonhos de infância. Em suas longas viagens ao Quênia, à Tunísia, ao Deserto do Saara, ao Novo México e Índia, entre outros países, estudou diferentes culturas e seus povos. Nestas viagens formulou sua Teoria do Inconsciente Coletivo, desenvolvendo uma distinção entre este e o inconsciente pessoal.

Em 1921, Jung publicou seu trabalho principal, "Tipos Psicológicos", que trata do relacionamento entre o consciente e o inconsciente e propõe os tipos de personalidade: introvertido e extrovertido - termos que se tornaram parte de nosso vocabulário.

Jung escreveu muito, especialmente sobre métodos analíticos e o relacionamento entre a psicoterapia e a crença religiosa. Seus conceitos e métodos continuam sendo amplamente difundidos por todo o mundo.

Jung faleceu no dia 6 de junho de 1961, em Küsnacht, Suíça.

"Eu logo cheguei à compreensão de que quando nenhuma resposta vem do interior para os problemas e complexidades da vida, eles definitivamente significam muito pouco. Circunstâncias externas não são substitutas para a experiência interna. Logo minha vida tem sido singularmente pobre em acontecimentos externos. Eu não posso dizer muito sobre eles, pois isto me pareceria vazio e insubstancial. Só posso compreender-me sob a luz dos acontecimentos interiores. São eles que constituem a particularidade da minha vida e é deles que trata minha auto-biografia." - C.G. Jung, "Memória, Sonhos & Reflexões".



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Fontes:
Revista Junguiana (
Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica);

Site
"Psiqweb";
Site
"10 em Tudo";
Site
"Psicologia pra Você".