O que é a morte? - conclusão


Uma breve avaliação dos relatos de vida após a morte:

Nem todos os temporariamente mortos viram a Luz. Os estudos detalhados do Dr. Ring mostram que a Luz aparece a uma porcentagem relativamente pequena das pessoas que tiveram experiências de morte temporária. Dr. Maurice Rawlings (4), que reanimou pessoalmente muitos moribundos, afirma que, percentualmente, o número de pessoas que vêem trevas e horrores é tecnicamente o mesmo do que as que vêem a Luz.

Essa é a opinião também do Dr. Charles Garfield, que lidera pesquisas na área dos estados próximos à morte. Ele escreve: "Nem todos morrem de uma forma tranqüila e agradável... Entre os pacientes questionados por mim, há quase o mesmo número de pessoas que experimentaram sensações desagradáveis (encontros com seres semelhantes ao demônio) quanto as que tiveram sensações agradáveis. Alguns deles experimentaram ambas as sensações" (10, pág. 54-55). Há base para supor que muitos, consciente ou inconscientemente, calam sobre suas sensações desagradáveis pós-morte. A impressão do Dr. Rawlings é que algumas visões são tão horríveis que o inconsciente das pessoas que as viram, automaticamente as apaga da memória (esquecimento seletivo). No seu livro, traz exemplos dessas amnésias. Além disso, pessoas que tiveram visões luminosas demonstram uma maior disposição para relatar suas experiências do que as que tiveram visões terríveis. Desta forma, foram detectados dois fatores que desequilibram a preponderância dos relatórios: a) o processo da amnésia seletiva e b) não querer “espalhar” coisas ruins a respeito de si mesmo.

Tudo leva a crer que essas diferenças radicais na qualidade das experiências depende diretamente daquilo que a pessoa foi em vida. Dependem, basicamente, do que ela acredita e de qual foi o seu modo de vida até a experiência. O conhecido pesquisador Carl Osis testemunha que, durante a pesquisa na Índia, revelou-se que durante o processo da morte, aproximadamente um terço dos hindus experimenta medo, depressão e grande nervosismo pela aparição de "yamdats”, os anjos da morte hindus e outros monstros do além (3). Aparentemente, o hinduismo com todo o seu elaborado misticismo, pode proporcionar uma aproximação com forças indesejáveis, o que se manifesta em visões assustadoras nos momentos que precedem a morte.

Segundo o bispo Alexander Mileant, da Igreja Ortodoxa Russa;

"Se o homem é orgulhoso e deseja ardentemente ver algo sobrenatural, milagroso, algo que outras pessoas não conseguem, ele se encontra em grande perigo de tomar o demônio por anjo. Na literatura espiritual, este estado chama-se 'sedução' (‘pvélest’ em russo). Correm perigo de cair nesta "sedução" os noviços voluntariosos, servidores de Deus vaidosos, profetas e curadores autodenominados e também pessoas que praticam mística pouco saudável... Dos relatos das pessoas que passaram por morte temporária não se apreende que eles praticassem algo semelhante. Na maioria dos casos, eram pessoas comuns, que por força de uma ou outra doença física morreram, mas, graças aos esforços dos médicos e ao sucesso da medicina moderna, foram reanimadas. Elas não esperavam ter nenhuma visão sobrenatural, e aquilo que lhes foi dado ver, foi obra da misericórdia divina, para que elas encarassem a vida de uma forma mais séria. Nos livros ortodoxos a respeito da vida pós morte, há relatos sobre aparições de demônios aos moribundos e sobre a passagem das almas pela fase de 'mítarstvo' (russo). No entanto, esses livros mostram que os demônios, normalmente, começam a atemorizar a alma após a chegada do anjo da guarda, que a acompanha no caminho ao Trono de Deus. Além disso, na presença do anjo, os demônios são obrigados a mostrar-se com sua real aparência abominável. Deus, por sua misericórdia, mostra essa Luz maravilhosa para reforçar a vida na virtude. O contato com essa Luz sempre revela sentimentos de paz e felicidade. A luz do demônio, ao contrário, traz consigo um sentimento de obscura inquietação. Ela incute no homem um sentimento de superioridade, promete conhecimentos, mas não há amor nela, é uma luz fria".


Relatos dos suicidas

Enquanto muitas pessoas que morreram de forma natural experimentam alívio e até alegria no "outro mundo", as almas dos suicidas, ao contrário, experimentam inquietação e sofrimento. Um especialista na área de suicídio ilustrou esse fato com a seguinte frase: "Se você despede-se da vida com a alma agitada, vai passar para o outro mundo também com alma agitada".

Eis alguns relatos contemporâneos que ilustram o estado dos suicidas em outros planos: "Um homem que amava ardentemente a sua mulher, tentou suicídio quando ela morreu. Ele tinha esperança de unir-se com ela para sempre. No entanto, tudo ocorreu de outra forma. Quando o médico conseguiu reanimá-lo, ele disse: 'Eu fui parar em um outro lugar, não o mesmo dela. Era um lugar terrível... Imediatamente entendi que tinha cometido um enorme erro' (1, pág.143).

Alguns suicidas que retornaram à vida descreveram que, após a morte, foram parar numa espécie de prisão ou "calabouço" e sentiam que ficariam lá por um longo período. Eles tinham consciência que isto era a consequência pela violação de uma Lei estabelecida, de acordo com a qual cada pessoa deve suportar uma determinada carga de dificuldades. Negando-se à isto por sua própria vontade, eles deverão suportar em outro mundo uma carga ainda maior.

A impressão comum dos médicos reanimadores é que o suicídio provoca um terror realmente extraordinário. Dr. Bruce Greyson, psiquiatra do setor do pronto-socorro junto à Universidade de Connecticut, tendo estudado essa questão, testemunha que, "dentre os que passaram pela morte temporária, ninguém, por nada, quer acelerar o fim da sua vida" (3, pág.99). Apesar do "outro mundo" ser incomparavelmente melhor que o nosso, a nossa vida aqui tem um significado preparatório muito importante. Somente Deus decide quando o homem está suficientemente maduro para a eternidade.

A Sra. Beverly, aos 47 anos (um caso famoso entre os especialistas), contou como está feliz por estar viva. Desde a infância, ela sofreu muito nas mãos de pais cruéis que a torturavam diariamente. Já na maturidade, ela não podia contar sobre sua infância sem ficar estressada. Uma vez, quando estava com 7 anos, levada ao desespero pelos pais, atirou-se no chão de cabeça para baixo e quebrou a cabeça no piso(!). Durante a sua morte clínica, sua alma viu as crianças, suas conhecidas, em torno do seu corpo inerte. De repente, uma luz brilhante apareceu, e uma voz desconhecida lhe disse: "Você cometeu um erro, sua vida não lhe pertence e você deve voltar". Beverly retrucou: "Mas ninguém me ama e ninguém quer cuidar de mim". - "Isso é verdade" - disse a voz - "e no futuro ninguém vai cuidar de você. Por isto, aprenda a se cuidar". Após estas palavras, Beverly viu neve à sua volta e uma árvore seca. Mas, de algum lugar veio calor, a neve derreteu e os galhos secos da árvore cobriram-se de folhas e de maçãs maduras. Então aproximou-se da árvore e começou a colher as maçãs e a comê-las, o que lhe deu muito prazer. Nesse momento compreendeu que, assim como na natureza, cada vida tem seus períodos de inverno e de verão, os quais constituem um Todo no Grande Plano. Quando Beverly reviveu, ela começou a encarar a vida de uma maneira completamente nova. Tendo crescido, casou-se com um homem carinhoso e compreensivo, teve filhos e foi feliz ( 7, pág.184).



Fontes e bibliografia:

MOODY, Raymond A. MD. Life after Life, New York: Bantam Books, 1978;
MOODY, Raymond A. MD. Reflections on Life after Life, New York: Bantam Books, 1978;
MOODY, Raymond A. MD. The Light Beyond, New York: Bantam Books, 1978;
MORSE, Melvin, MD. Closes to the Light, New York: Ivy Books, 1990 (sobre crianças que
estiveram próximas à morte);
SABOM, Michael, MD. Recollections of Death, New York: Harper & Raw Publishers, 1982;
RING, Kenneth, PhD. Life at Death, New York: QUILL, 1982;
MORSE, Melvin, MD. To Hell and Back, New York: Ivy Books/Ballantine Books, 1990;
ROSE, Hiero Monge Seraphim. The Soul After Death, California: Saint Herman of Alaska Brotherhood/Platina, 1980;
ANKENBERT, J. & WELDON, J. The Facts of Life After Death, Oregon: Harvest House Publishers/Eugene, 1992;
KASTENBAUM, Robert. Is There Life After Death?, New York: Prentice Hall, 1984;

* Post baseado nos textos de Bishop Alexander (Mileant), da Igreja Ortodoxa Russa.