Há o Mal?

Preciso falar de um assunto delicado. É um tema importante, que eu estou protelando já há um tempo, mas passou da hora de abordá-lo. É uma daquelas matérias fundamentais, que precisam ser compreendidas antes de nos aprofundarmos mais em outros assuntos.

A verdade é que nunca a sociedade esteve tão influenciada por idéias ocultistas, esotéricas, mágicas ou pseudomísticas, nestes mais de dois mil anos da Era Cristã, como nos dias de hoje. O movimento filosófico místico conhecido como "Nova Era", por exemplo, atrai cada vez mais adeptos, por uma razão muito simples: acena a todos com a promessa de “ser como Deus”. Mas a Nova Era não é uma religião única ou uma comunidade específica que possa ser como tal percebida. Trata-se de uma espécie de “rede”; um movimento maior, que não se pode “ver” nitidamente, mas cujos efeitos na sociedade são bem reais. A Nova Era não se apresenta como um movimento unificado, sob a direção de um líder único, mas é como uma constelação de pequenos movimentos.

“Enquanto a maioria das nossas instituições vem falhando, surge uma nova versão da velha relação tribal ou familiar: 'a Rede'. A rede é moldável, flexível. Para todos os efeitos, cada membro é o centro da rede. As redes são cooperativas, não competitivas. São como as raízes da grama: autogeradoras, autoorganizadoras, por vezes até autodestruidoras. Representam um processo, não uma estrutura organizada. Cada segmento dessa rede é auto-suficiente. Não se pode destruir a rede pela destruição de um dos líderes ou de algum órgão vital. O centro - o coração - da rede se encontra em todos os lugares. A conspiração aquariana é, na verdade, uma ‘Rede de muitas redes’ destinadas à transformação social. Seu centro está em toda a parte. A Conspiração não pode ser detida, porque é uma manifestação da mudança nos indivíduos.”

- Marilyn Ferguson, "A Conspiração Aquariana"


Corrompido pela decadência moral e pelo enfraquecimento dos princípios religiosos, o Ocidente é invadido por uma grande variedade de práticas pseudo-místico-religiosas. Com efeito, assistimos hoje ao surgimento de diversas seitas e/ou correntes religiosas - também denominadas filosóficas - que se infiltram entre os adeptos das religiões tradicionais e operam uma verdadeira revolução silenciosa.

“Todos os deuses, todas as crenças, todos os sistemas religiosos serão aceitos ao mesmo tempo. Como os antigos romanos, toleraremos todos, exatamente por não acreditar a fundo em nenhum deles. Nossa fé se reduziu à crença numa energia cósmica qualquer, uma "força". (...) Gnomos, espíritos, magos, anjos, duendes, demônios – um cortejo de quimeras extintas pela luz elétrica – ressuscitam, assim, no ecletismo da nova religião, a mais relativista que já houve, apta a admitir quaisquer fantasias e ignorar contradições entre elas.”

- Otávio Frias Filho, diretor do jornal “Folha de S. Paulo”




Estamos falando de um movimento organizado, que, por vezes, até se apresenta como "cristão". Seu nome não poderia ser mais genérico: Movimento da Nova Era (ou New Age), que nada mais é do que a reunião de várias correntes esotéricas diferentes falando a mesma língua, que almejam, segundo seus adeptos, o fim da chamada "Era de Peixes" e a instauração da "Era de Aquários". Durante as perseguições romanas, os primeiros cristãos usavam alguns símbolos como identificação de sua Fé. Um deles, presente nas catacumbas e em vários objetos da época, era o peixe, que em grego, escreve-se ixtus, cujas letras são as iniciais de Iéssus Xcristós Teou Yiós Sotér (Jesus Cristo - Filho de Deus - Salvador). Para alcançar seus objetivos, tais organizações não raramente se revestem de uma aparência cristã e difundem mensagens pacifistas, ecológicas e filantrópicas. Todavia seguem uma doutrina esotérica iniciática, isto é, tem sua parte principal escondida, oculta, acessível apenas a pessoas iniciadas, que são lentamente levadas a esquecer seus princípios.

O homem justo faz do amor a Deus o eixo da sua vida, pelo qual ele enxerga todo o resto, cumprindo, naturalmente, o maior dos Mandamentos: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração de toda a alma, de todo o entendimento, e com todas as suas forças” (Marcos, 12:30). A “santidade” consiste em amar a Deus até o esquecimento do ego, a ponto de nos tornarmos um outro Cristo, ou, nas palavras de São Paulo: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Nesse Amor sublime, fruto da pureza da alma, reside a verdadeira felicidade e o tesouro mais precioso, onde “o ladrão não chega, nem a traça rói” (Jesus Cristo em Lucas, 12:33).

Para os adeptos dessa nova ordem que se infiltrou e cresce cada vez mais no inconsciente coletivo da humanidade, não é a Deus que devemos conhecer e amar, mas a nós mesmos. Pois, segundo imaginam, Deus não é superior aos homens e digno de ser amado sobre todas as coisas, mas é igual aos homens. Como conseqüência, o homem deve conhecer a si mesmo e perceber que ele é “Deus”. É o orgulho levado às últimas conseqüências, mediante o qual o homem se esquece de Deus e do seu próximo para amar a si mesmo sobre todas as coisas.

“Sereis iguais a Deus” – Satanás, em Gênesis, 3:5


Sem dúvida, Satanás foi o primeiro "igualitário". - E ao grito igualitário de Lúcifer; “Não servirei!” (Jeremias, 2:20) - respondeu Miguel Arcanjo, o príncipe dos anjos: “Quem é como Deus?”. Segundo a Bíblia e a tradição cristã, os anjos, assim como os homens, também tiveram sua “prova”, na qual deveriam escolher entre Deus e a si mesmos. Segundo Tomás de Aquino, alguns anjos desejaram diretamente a bem-aventurança final, não por uma concessão de Deus, por obra da Graça, e sim por sua virtude própria, como mera decorrência de sua natureza. Desse modo, quiseram manifestar sua independência em relação a Deus; recusaram a Deus como Criador e desejaram substituí-Lo e ter o domínio sobre todas as coisas (Gênesis, 3:5).

Muitos dos novos movimentos espiritualistas sustentam exatamente a salvação (bem-aventurança), não como obra da Graça, mas como decorrência da própria "natureza divina" do homem. Segundo a tradição cristã, Lúcifer era o anjo mais belo que Deus havia criado. Deste fato resulta o seu nome, que significa "aquele que ilumina", ou "aquele que porta a luz": Lúcifer. Jesus diz, no Evangelho segundo Lucas: “Eu vi Satanás cair do céu como um relâmpago” (Lucas, 10:18). Aquele que iluminava, agora vive nas trevas desviando a humanidade. Imaginando-se Deus, o adepto naturalmente é levado a negar a Justiça divina (já que essa Justiça pressupõe Deus superior aos homens). A Nova Era afirma que o problema do homem não é o pecado, mas a ignorância. Conhecer-se a si mesmo, eis o lema. Não é mais a Redenção de Jesus Cristo que abre as portas da Eternidade, mas o próprio homem que se julga salvo pela sua natureza divina. Desta forma, o supremo ato de Amor de Deus é substituído pelo supremo ato de orgulho de quem julga ocupar o lugar de seu Criador. Não existe punição, portanto não há justiça. Pelo seus erros, o indivíduo não terá que responder num outro Plano além deste, mas numa encarnação mais sofrida: “aqui se faz, aqui se paga”, ou a chamada “Lei do Carma”.

Para esse fim nos levariam as artes do tarô, búzios, quiromancia, astrologia, numerologia, cristais, certos tipos de medicina alternativa e etc. Tudo é usado para dar uma nova visão ao ser humano, uma nova maneira de experimentar a realidade. Claro que algumas dessas práticas abrangem aspectos naturais que podem produzir resultados efetivos. Mas o uso destes métodos como uma maneira de "canalizar energias", atrair prosperidade ou levar a um grau de consciência superior significa, na realidade, uma volta ao paganismo primitivo que havia na infância da humanidade, com todas as suas idolatrias e superstições.

“Eis que eu vos envio como ovelhas entre lobos. Por isso, sede prudentes como as serpentes e sem malícia como as pombas”

- Jesus em Matheus 10:16


“O Espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns homens renegarão sua fé, dando atenção a espíritos sedutores e a doutrinas de demônios”

- I Carta a Timóteo, 4:1


“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos seus frutos os conhecereis”

- Jesus em Matheus 7:15


Abaixo, o filósofo, jornalista e escritor Olavo de Carvalho manifesta a sua opinião abalisada numa entrevista concedida ao blogueiro multifaces Yuri Vieira: