Nada mais que a Verdade


Minha mãe sempre repetia aquele velho ditado: “Política, futebol e religião não se discutem”... Eu já meditei um bocado sobre esse assunto. E meditando, descobri algo importante: Discutir religião, futebol ou política só é tão difícil (muitas vezes impossível) porque as pessoas fazem escolhas e tomam partidos. Carregam bandeiras, “se fecham” nesta ou naquela opção. Se um torce para um time e o outro para o time adversário, eles nunca vão entrar num acordo, e na política, as diferentes ideologias muitas vezes são irreconciliáveis... Mas, em se tratando de religião isso não deveria acontecer, e não aconteceria, se as pessoas estivessem buscando a VERDADE imbuídas do real sentimento religioso, que significa exatamente o oposto de separação: o RE-LIGARE.

Mas as divisões acontecem, e acontecem porque a imensa maioria não está preocupada com esse sentido verdadeiro da religião, mas sim com formalismos e aparências. Aí, BUSCAR A VERDADE fica relegado a um segundo, terceiro ou quarto plano, tudo se torna uma questão de orgulho, de afirmação do ego, de não se permitir sequer admitir a possibilidade de se estar errado.

A primeira atitude dos que querem encontrar a Verdade deveria ser a de anular o próprio ego. Porque a verdade quase nunca é do jeito que nós imaginamos! Quanto mais nos fechamos, nos baseando em idéias ou “modelos prontos”, mais nos distanciamos da verdadeira Verdade (a redundância foi proposital). E eu estou falando de toda e qualquer religião.

E é nessa hora que as religiões, assim como qualquer ideologia ou bandeira, dividem os homens. Aí, a religião já não é Religião, é um partido que tomamos, assim como escolhemos o time pelo qual vamos torcer ou o político que vamos apoiar. Nós não temos como saber quais as reais intenções daquele político com quem simpatizamos num primeiro momento. Quantas vezes elegemos um líder e depois que ele se revela, nos arrependemos (aham...). Mas na religião não deveria ser assim. E não seria, se usássemos nossas consciências em vez dos nossos egos. Aliás, "religião" é mais uma daquelas palavras que de tão gastas pelo mau uso, acabaram perdendo o seu real significado. Sejamos sinceros e abertos, diante da Vida. Quando desistirmos de "escolher", seremos os escolhidos.

"O homem que encontra satisfação, deleite e luz em seu interior é um yogue que, unido a Brahma, alcança o nirvana em Brahma.

Os santos sábios, cujas culpas foram apagadas e cuja dualidade foi destruída, que conseguiram vencer-se a si mesmos e se dedicam ao bem estar de todas as criaturas, alcançam o nirvana.

Muito próximos do nirvana estão aqueles que extirpam de seu coração os desejos e o ódio, aqueles que disciplinaram o corpo e a mente e conhecem o Eu.

Evitando que cheguem ao interior as impressões exteriores (...), com os sentidos, o pensamento e o INTELECTO subjugados (...),

Sabendo que sou Eu que recebo os sacrifícios e que sou o Senhor de todos os mundos e o amigo de todos os seres, encontra a Paz.

Quando sua mente, disciplinada pelo exercício do Yoga, está tranquila; quando percebendo o eu através do Eu, encontra satisfação em si mesma;

E quando, depois de ter alcançado esse estágio, julga que não há tesouro mais valioso e se firma nessa situação, nem mesmo a dor mais intensa pode abalá-lo.

Aquele que Me vê em todas as coisas, nunca será abandonado por Mim, nem Me abandonará jamais."


- Baghavad Gita


"Ouve, Senhor, o meu coração! Nunca mais te esquecerei! Nunca Te abandonarei!"

- Paramahansa Yogananda


"Escutai-me, Senhor (...). Fala-Vos meu coração, minha face Vos busca; a Vossa face, ó Senhor, eu procuro!"

- Salmo de Davi (26)





Post dedicado à minha amiga buscadora (e colaboradora) 'Fiat Lux'. Ela sabe bem porquê.