O que é a morte?


"Eu estava deitado na sala da UTI do hospital infantil de Seattle, Estado de Washington, EUA, quando, de repente, senti-me em pé, movendo-me com incrível velocidade através de um espaço escuro. Eu não via paredes em minha volta, no entanto, parecia ser algo como um túnel. Não sentia vento, porém, percebia que me deslocava com incrível velocidade. Apesar de não entender o porque e para onde eu estava voando, sentia que no final do meu vôo algo muito importante me esperava e eu queria chegar ao meu destino o mais rápido possível. Finalmente, eu me via em um lugar repleto de luz brilhante e então percebi que havia alguém perto de mim. Era alguém alto, com longos cabelos dourados; vestia roupa branca amarrada no meio com um cinto. Ele não dizia nada, mas eu não tinha medo pois, uma enorme paz e amor emanavam dele. Se não era Cristo, devia ser um de seus anjos".


Depois disso, o garoto Dean, de 16 anos, cujos rins pararam de funcionar, sentiu que retornou ao seu corpo e voltou a si. Estas impressões, tão curtas mas muito fortes, deixaram uma marca profunda na alma de Dean. Ele tornou-se um jovem religioso, o que influenciou positivamente toda a sua família.

Este é um dos relatos típicos, reunidos pelo médico pediatra americano Dr. Melvin Morse e publicados no livro "Closer to the Light" (Mais Próximo da Luz).

Ele observou o primeiro caso de morte temporária em 1982, quando conseguiu fazer reviver a menina Catarina, de 9 anos, que se afogou numa piscina pública. Catarina conta que, durante o tempo em que esteve morta, encontrou-se com uma adorável "senhora" que disse chamar-se Elizabeth. Ela acolheu com muito carinho a alma de Catarina e conversou com ela. Ciente de que Catarina ainda não estava pronta para passar para a vida espiritual, Elizabeth permitiu que ela retornasse ao seu corpo. Durante este período de sua carreira médica, o Dr. Morse trabalhava em um hospital da cidadezinha de Pocatelo, no estado de Idaho, EUA.

O relato da menina teve um profundo efeito nele (que até então era cético em relação a todo fenômeno espiritual), uma impressão tão forte que ele resolveu estudar mais profundamente a questão “o que acontece com uma pessoa logo após a sua morte”. No caso de Catarina, Dr. Morse admirou-se particularmente com a descrição detalhada de tudo que sucedeu na hora em que se encontrava morta clinicamente, - tanto no hospital, como em sua casa - como se ela estivesse alí presente. Dr. Morse verificou e se convenceu da veracidade de todas as observações de Catarina.

Após ter sido transferido para o Hospital Infantil Ortopédico de Seattle, e mais tarde, ao Centro de Medicina de Seatle, Dr. Morse começou a estudar sistematicamente a questão da morte. Ele questionava muitas crianças, as quais tiveram a experiência com a morte clínica; comparava e documentava seus relatos. Além disso, ele continuava a manter contato com seus jovens pacientes e observava o seu desenvolvimento intelectual e espiritual a medida que eles cresciam. No seu livro, Dr. Morse afirma que todas as crianças que ele conheceu, que sobreviveram à morte temporária, ao crescer, tornaram-se jovens sérios e religiosos, moralmente mais "puros" que outros jovens que não passaram por isto. Todos eles aceitaram suas experiências como manifestação divina e como um sinal superior de que é preciso viver para o Bem.

Relatos semelhantes sobre a vida após a morte, até há pouco tempo, eram publicados apenas na área da literatura religiosa. As revistas populares e livros científicos, via de regra evitavam esses temas. A maior parte de médicos e psiquiatras mantinham uma postura negativa em relação a essas manifestações. Há apenas pouco mais de vinte anos, representantes da medicina começaram a se interessar seriamente sobre a questão da existência da alma. Um dos impulsos para este movimento foi o livro do Dr. Raymond Moody - "Vida depois da vida", publicado em 1975. Nesse livro, Dr. Moody coletou uma série de relatos de pessoas que tiveram experiências com a morte clínica. Relatos de alguns conhecidos levaram Dr. Moody a interessar-se pela questão, e quando começou a coletar informações, para seu espanto, descobriu que existiam muitas pessoas, as quais, na hora em que tiveram morte clínica, tiveram visões fora de seus corpos. Porém, essas pessoas não o contavam a ninguém para não serem ridicularizadas ou consideradas “loucas”.

Logo após o lançamento do livro do Dr. Moody, a imprensa sensacionalista e a TV divulgaram amplamente os dados coletados por ele. Começaram acaloradas discussões e debates públicos sobre o tema “vida após a morte”. Até que médicos, psiquiatras e líderes espirituais, considerando-se afetados em seu campo de perícia por fontes incompetentes, resolveram conferir os dados e as conclusões do Dr. Moody. Muitos deles ficaram surpresos ao verificar a veracidade de suas observações - ou seja, que mesmo após a morte a existência do homem não termina, e sua alma continua a ouvir, pensar e sentir.

Entre as pesquisas sérias e sistemáticas sobre a questão da morte, inclui-se a realizada pelo Dr. Michael Sabom. Professor de medicina na universidade de Emory e médico no hospital para veteranos da cidade de Atlanta, publicou um livro com dados precisos e documentados, bem como análises aprofundadas a respeito do assunto.

Também é valiosa a pesquisa sistemática do psiquiatra Kenneth Ring, publicada no livro "Life at Death" (Vida na Morte). Dr. Ring montou um questionário para ser respondido pelos sobreviventes à morte clínica. Nomes de outros médicos que se envolveram nessa questão estão citados na bibliografia ao final do texto. Muitos deles eram céticos que mudaram sua perspectiva ao analisar muitos e sempre novos casos confirmando a realidade da continuidade da consciência (alma) após a morte física.

O que a alma vê no "outro mundo"...

A morte não é como muitos a imaginam. Na hora da morte, teremos que ver e passar por muitas coisas para as quais não estamos preparados. Bem, se cada um de nós terá de atravessar esta fronteira, deveríamos nos preparar para isto...

Reunindo os relatos das pessoas que sobreviveram à morte clínica, emerge o seguinte quadro do que a alma vê e experimenta, ao separar-se do corpo: Quando a morte se processa e a pessoa atinge o limite de desfalecimento, ela ouve quando o médico a considera morta. Em seguida, ela vê seu "sósia" - um corpo inerte - deitado abaixo dela, e muitas vezes médicos e enfermeiros tentando revivê-lo. Essas imagens inesperadas provocam um grande choque na pessoa, porque, pela primeira vez na vida ela se vê do lado “de fora”. E aí verifica que suas capacidades habituais - ver, ouvir, pensar, sentir etc. - continuam a funcionar normalmente, só que agora independentes do seu invólucro exterior. Flutuando no ar, acima dos outros que se encontram no quarto, a pessoa instintivamente tenta comunicar-se, dizer algo ou tocar alguém. Mas, para seu horror, percebe que está isolada dos outros e que ninguém reage aos seus apelos. Além disso, ela fica admirada ao sentir alívio, serenidade e até alegria indescritíveis. Não há mais aquela parte do "eu" que sofria, exigia algo e queixava-se sempre de tudo. Sentindo tal alívio, a alma normalmente não quer voltar ao corpo.

Na maioria dos casos documentados da morte temporária, a alma, após observar por alguns momentos o que se passa ao redor, volta ao seu corpo físico, e nesse momento, o conhecimento do outro mundo é interrompido. Mas, às vezes, a alma dirige-se adiante para o mundo espiritual. Alguns descrevem essa sensação como movimento num túnel escuro. Após isso, as almas de algumas pessoas vão para um mundo de grande beleza, onde, às vezes elas encontram parentes, que morreram anteriormente. Outras vão parar numa região de luz e encontram-se com um ser de luz, do qual emanam grande amor e compreensão. Alguns afirmam que é Jesus Cristo, outros que é um anjo. Mas todos concordam que se trata de alguém repleto de bondade e compaixão. Alguns, ainda, vão parar em lugares tenebrosos e, voltando, descrevem terem visto seres cruéis e repugnantes. Ás vezes, o encontro com o misterioso ser luminoso é acompanhado de uma "revisão" da vida, quando a pessoa começa a lembrar do seu passado e faz uma avaliação moral dos seus atos. Após isto, alguns vêem algo semelhante a uma “divisão” ou fronteira. Eles sentem que, uma vez ultrapassada esta fronteira, não poderão voltar ao mundo físico.

Mas nem todos os que sobreviveram à morte temporária passaram por todas essas fases. Uma grande porcentagem das pessoas que voltaram à vida não se lembra de nada. As etapas citadas são colocadas em ordem de sua freqüência relativa, começando com as que ocorrem mais freqüentemente e terminando com as que são mais raras. Segundo os dados do Dr. Ring, aproximadamente um de cada sete que se lembram da existência fora do corpo, viu a luz e interagiu com o ser de luz.

Graças ao progresso da medicina, a reanimação dos mortos passou a ser um procedimento quase padrão em muitos hospitais atuais. Antigamente, isso quase não existia. Por isso, existe uma certa diferença entre os relatos da vida pós - morte na literatura antiga, mais tradicional, e na moderna. Os livros religiosos mais antigos, relatando sobre a aparição da alma dos mortos, contam sobre visões do paraíso ou do inferno e sobre encontros com anjos ou demônios. Esses relatos podem se chamar de descrições do "cosmo distante", já que retratam o mundo espiritual distante de nós. Os relatos modernos, anotados pelos médicos, descrevem principalmente quadros do "cosmo próximo" - as primeiras impressões da alma que acaba de deixar o corpo. Esses relatos são interessantes, pois complementam a primeira categoria de relatos (dos tempos mais antigos) e nos dão a possibilidade de entender com mais clareza aquilo que espera cada um de nós. Entre estas duas categorias, está a descrição de K. Ixcul, publicada pelo Arcebispo Nikon em 1916 sob o título "Inacreditável Para Muitos, Mas Aconteceu" que abrange os dois mundos - o "distante" e o "próximo”. Em 1959, a obra foi reeditada.

K. Ixcul era um típico jovem intelectual da Rússia antes da revolução. Ele foi batizado quando criança e cresceu no meio ortodoxo, mas como era comum entre os intelectuais, era indiferente à religião. Às vezes entrava numa igreja, comemorava as festas de Natal e Páscoa, até comungava uma vez por ano, mas considerava muitos ensinamentos da religião ortodoxa como sendo superstições arcaicas, inclusive o ensinamento sobre a vida após a morte. Ele tinha certeza que com a morte terminava a existência do homem. Certa ocasião, ele teve uma grave pneumonia, que se tornou séria e demorada, e enfim foi internado. Ele não pensava sobre a morte que se aproximava e esperava ficar bom logo e recomeçar suas atividades habituais. Certa manhã, ele de repente, sentiu-se muito bem. A tosse passou, a febre baixou. Ele pensou que estava curado. Mas, para seu espanto, os médicos ficaram preocupados e trouxeram oxigênio. E depois - calafrios e completa apatia por tudo que estava em sua volta. Ele conta:

"Toda a minha atenção concentrou-se em mim mesmo... é como se ocorresse bipartição... apareceu o ‘homem interior’ - o mais importante, que tinha total indiferença ao corpo exterior e ao que ocorria com ele... Era espantoso ver e ouvir e ao mesmo tempo sentir desinteresse em relação a tudo. O médico faz uma pergunta, eu ouço, entendo, mas não respondo - não tenho porque falar com ele... E de repente, fui puxado para baixo, para a terra, por uma força enorme. Eu me agitei. ‘Agonia’ - disse o médico. Eu entendia tudo, não sentia medo. Lembrei-me ter lido que a morte é dolorosa, mas não sentia dor. No entanto, sentia um pesar. Eu era puxado para baixo... Eu sentia que algo deveria desprender-se... Fiz um esforço para me libertar e de repente, senti-me leve. Eu senti paz. Lembro-me claramente do restante. Eu estou em pé no meio do quarto. A minha direita, formando semicírculo em torno da cama, estão os médicos e as enfermeiras. Eu estava surpreso - o que eles estão fazendo lá, já que eu não estou lá, estou aqui. Aproximei-me para olhar. Deitado sobre a cama estava eu. Ao ver o meu ‘dublê’, não me assustei, mas fiquei surpreso - como é possível? Eu quis tocar a mim mesmo - minha mão atravessou, como se tivesse atravessado o vazio. Não consegui também tocar os outros. Não sentia o chão... Eu chamei o médico, mas ele não reagiu. Eu entendi que estava completamente só, e entrei em pânico. Olhando o meu corpo físico, pensei: "Será que eu morri?" Mas, isto era difícil de admitir. Eu me sentia mais vivo que antes, sentia tudo e entendia. Após um certo tempo, os médicos saíram do quarto, os dois enfermeiros começaram a discutir detalhes da minha enfermidade e da morte, e a auxiliar fez o sinal da Cruz e em voz alta desejou-me o habitual: ‘Que ele tenha o Reino dos Céus, e paz eterna’. Mal ela pronunciou estas palavras, apareceram dois anjos. Um deles, eu imediatamente o reconheci, era o meu Anjo da Guarda, o outro eu desconhecia. Os dois anjos, pegando-me sob os braços, levaram-me para a rua, direto através da parede do hospital. Já escurecia e nevava. Eu via isso, mas não sentia nem o frio e nem mudança de temperatura. Nós começamos a subir rapidamente".

Graças às novas pesquisas na área da reanimação e coletando diversos relatos dos sobreviventes à morte clínica, há possibilidade de formar um quadro detalhado, sobre o que a alma vivencia logo após a separação do corpo. Claro, que cada caso tem suas características individuais, que os outros não têm. E isto é natural, porque quando a alma vai parar no "além" é como se ela fosse um bebê recém nascido com a visão e audição ainda não desenvolvidos. Por isso, as primeiras impressões das pessoas, que "emergiram" no "outro mundo", têm caráter subjetivo. No entanto, no seu conjunto, elas ajudam a formar um quadro bastante sólido e coeso, ainda que não totalmente compreensível para nós.

A seguir, os momentos mais característicos das experiências do "outro mundo" cuja fonte são os estudos recentes sobre vida após a morte.

1) Visão do "dublê": Tendo morrido, o homem não se dá conta disso, imediatamente. E só depois de se ver deitado e inerte, embaixo de si mesmo, convence que é incapaz de comunicar-se, e percebe que a sua alma saiu do corpo. Às vezes, acontece que, após um desastre inesperado, quando a separação do corpo físico ocorre brusca e inesperadamente, a alma não reconhece o seu corpo e pensa que está vendo alguém parecido com ele. A visão do “dublê” e a incapacidade de comunicar-se provocam um grande choque na alma, de modo que ela não tem certeza se isto é sonho ou realidade.

2) Consciência não rompida: Todos os sobreviventes à morte temporária testemunham que conservaram totalmente o seu "eu" e todas as suas capacidades mentais, sensoriais e de vontade. Mais que isso, a visão e a audição tornam-se até mais aguçadas, o raciocínio fica mais claro e torna-se mais enérgico e a memória torna-se lúcida. Pessoas que he muito tempo perderam alguma capacidade em conseqüência de doença ou da idade, a recuperam. Percebe-se que é possível ver, ouvir, pensar e sentir, mesmo não tendo órgãos físicos. É particularmente fantástico, por exemplo, que um cego de nascença, tendo saído do corpo, viu tudo que era feito com o seu corpo pelos médicos e enfermeiros; e ao retornar, após relatar todo o ocorrido, voltou a ser cego. Os médicos e psiquiatras, que associam as funções de pensar e de sentir aos processos químico-elétricos no cérebro, devem levar em conta esses dados modernos, compilados por médicos - reanimadores para entender corretamente a natureza humana.

3) Alívio: Normalmente, a morte é precedida pela doença e sofrimento.Ao sair do corpo a alma se alegra, pois nada mais dói, nada oprime, nada sufoca, a mente funciona claramente, os sentimentos apaziguados. O homem começa a identificar-se com a alma, e o corpo parece ser algo secundário e inútil, como tudo que é material. "Eu saio, e o corpo é um invólucro vazio" - explica um homem que sobreviveu à morte temporária. Ele assistiu à sua cirurgia cardíaca como se fosse um "espectador." As tentativas de reanimar o seu corpo, absolutamente não o interessavam. Aparentemente, ele tinha se despedido mentalmente da vida terrena e estava pronto para iniciar uma nova vida. Entretanto, permanecia com ele o amor pela família e preocupação com os filhos que deixava. Deve-se notar que, nesse momento, mudanças radicais no caráter do indivíduo não ocorrem. O indivíduo permanece o mesmo que era. "A suposição que, abandonando o corpo, a alma imediatamente passa a conhecer e entender tudo, é falsa. Eu vim para esse novo mundo do mesmo jeito como saí do velho," - conta K. Ixcul.

4) O Túnel e a Luz: Após a visão do seu próprio corpo físico e do ambiente que o rodeia, algumas almas continuam no outro mundo espiritual. Enquanto outras, não passam pela primeira fase ou não reparam nela e vão direto para o segundo estágio. A passagem para o mundo espiritual, alguns descrevem como sendo uma viagem através do espaço escuro, lembrando um túnel, no final do qual eles vão parar numa região de luz não terrena. Existe um quadro do século XV de Jerônimo Bosch, intitulado "Ascensão ao Empírico" que representa algo semelhante à passagem da alma pelo túnel. Isso pode significar que mesmo naquele tempo alguém já tinha acesso a esse conhecimento.


>> Continua...