Lanciano

Este é o primeiro de uma série de posts que eu pretendo publicar, não necessariamente em seqüência, sobre o assunto “milagres”, que na minha visão são provas e/ou evidências verdadeiramente consistentes da realidade de uma outra existência, diferente desta em que vivemos, e que se convencionou chamar “espiritual”. Algumas orientações religiosas asseguram que esse tipo de fenômeno não existe, simplesmente não acontece. Afirmam isso partindo da lógica de que, se Deus estabeleceu regras para a sua criação e para suas criaturas, não teria Ele mesmo o direito de “quebrar” essas mesmas regras. Mas será que isso não seria “um pouquinho” de pretensão de nossa parte; pretender “policiar” Deus?? Determinar o que Ele pode ou deve e o que não pode ou não deve fazer?? Bom, acho que isso depende inteiramente da idéia que nós fazemos de Deus. Se acreditamos que há um ancião de longas barbas brancas, vivendo “lá em cima”, sentado numa nuvem e vestindo um camisolão, rodeado de “anjinhos” bochechudos, que de vez em quando manda raios para castigar os maus... Então, nesse caso, até poderíamos tentar imaginar o que ele faria e o que não faria... Mas, se eu acredito na Força suprema, que cria e rege o Universo (Pluriverso?), e que de alguma maneira permeia tudo que existe... bom, nesse caso eu seria totalmente, mas totalmente mesmo, incapaz de querer ensinar a quem quer que seja o que DEUS pode ou não fazer.

Na terminologia da Pesquisa Psi e da Parapsicologia, designa-se "fenômeno supranormal" aquilo que popularmente se chama de “milagre”. Nos últimos anos, desastradamente, esse termo (fenômeno supranormal) tem sido adotado por todo tipo de seita para designar todo e qualquer tipo de ocorrência extranormal, paranormal, extra-sensorial ou puramente espiritual. Tudo é chamado de "supranormal". Dentro da séria pesquisa PSI e da verdadeira parapsicologia (enquanto ramo da Ciência), Fenômeno Supranormal se reconhece: Pelo fato, em si mesmo, superior à natureza; Pelo modo, diferente da natureza; e Pelo intermédio de quem ou de quê se fez/faz. Assim, os fenômenos provocados pelo ser humano, ainda que inexplicáveis, não podem ser considerados como fenômeno supranormal.

Particularmente, acredito que só faz sentido falar de Deus como um Deus que age e se revela na história - um Deus que se faz conhecido, portanto, através de eventos históricos. Isso posto, vamos ao assunto:




mais de 13 séculos aconteceu aquele que é considerado por muitos, sejam cristãos, devotos, leigos e também muitos cientistas, como o maior e mais prodigioso Fenômeno “Supranormal” da História. Por volta do ano 700, na cidade italiana de Lanciano (Anxanum dos Frentamos), viviam no Mosteiro de São Legoziano os Monges de São Basílio, e segundo dados históricos, havia entre eles um que se fazia notar mais por sua cultura secular do que pelo conhecimento das coisas da fé. Sua determinação, a todos, parecia vacilante, e ele era perseguido todos os dias pela dúvida de que a Hóstia consagrada fosse "Corpo de Cristo" e o Vinho seu verdadeiro Sangue, como prega a tradição católica. Mas ele permanecia orando continuamente para que esse insidioso espinho saísse de sua mente (como sacerdote, obviamente, ele não poderia conviver com uma dúvida tão grande no que concerne justamente a uma das crenças básicas da fé por ele representada).

Essa situação persistiu até que certa manhã, celebrando a Missa, mais do que nunca atormentado pela sua dúvida, após proferir as palavras da Consagração, ele viu a hóstia converter-se em carne viva e o vinho em sangue vivo. Sentiu-se confuso e dominado pelo temor, permanecendo longo tempo transportado a um êxtase sobrenatural. Até que, em meio à transbordante alegria, o rosto banhado em lágrimas, voltou-se para as pessoas presentes e disse:

“Ó testemunhas afortunadas, a quem o Santíssimo DEUS, para destruir a minha falta de fé, quis revelar-Se a Si Mesmo neste bendito Sacramento e fazer-Se visível diante dos nossos olhos. Venham irmãos, venham todos e maravilhem-se com o nosso DEUS tão próximo de nós. Venham contemplar a Carne e o Sangue de nosso Amado Cristo”.


À estas palavras os fiéis se precipitaram para o altar e muitos começaram também a chorar... Logo a notícia se espalhou por toda a pequena cidade, transformando o monge numa espécie de “novo Tomé”. A Hóstia-Carne apresentava, como ainda hoje se pode observar, uma coloração ligeiramente escura, tornando-se rósea se iluminada pelo lado oposto, e tinha aparência fibrosa; o Sangue era de cor terrosa, coagulado em cinco fragmentos de forma e tamanho diferentes. Serenada a emoção, as relíquias foram protegidas num tabernáculo de marfim, que foi mandado construir pelas pessoas mais credenciadas do lugarejo.

A partir de 1713, e até hoje, a carne passou a ser conservada numa custódia de prata, e o sangue, num cálice de cristal. Os reconhecimentos eclesiásticos do Milagre aconteceram em 1574...

Até aí, tudo bem, nada que impressione um cético. Mais uma história inventada para reforçar a fé do povo, como tantas outras. Mais uma lenda piedosa, mais uma alegação sem provas. E assim lidaram com o Fenômeno os opositores da Igreja até o ano de 1970. Mas...

Como é de domínio público, o Vaticano em sua história moderna é sempre alvo de inúmeras críticas, muitas vezes por parte dos próprios fiéis, pelo fato de não divulgar abertamente, e com maior ênfase, casos de Milagres como este (concordo com essas críticas), e também por adotar uma postura extremamente rígida para com os casos de alegações de supostos milagres (já essa posição eu entendo, e estou de acordo com ela). E neste caso não foi diferente. As relíquias já vinham sendo mantidas como objeto de veneração há séculos, mas a Igreja se reservou a fazer o pronunciamento oficial a respeito, somente depois de confirmação científica.

E é exatamente por isso que acho este caso, em especial, no mínimo muito intrigante: em novembro de 1970 os Frades Menores Conventuais, sob cuja guarda se mantém a Igreja do Milagre (desde 1252 chamada de São Francisco), devidamente autorizados, confiaram a dois médicos de renome e idoneidade moral a análise científica das relíquias, que foi realizada por meio de minuciosas e rigorosas provas de laboratório.

Para tanto, convidaram o Dr. Edoardo Linoli, Chefe de Serviço dos Hospitais Reunidos de Arezzo e livre docente de Anatomia e Histologia Patológica e de Química e Microscopia Clínica, e o Profº Ruggero Bertelli, Profº Emérito de Anatomia Humana Normal na Universidade de Siena.

Procederam-se os exames. Após alguns meses de trabalho, exatamente no dia 4 de Março de 1971, os pesquisadores publicaram um relatório contendo os resultados das análises, o qual segue abaixo:

"A carne é carne verdadeira, o sangue é sangue verdadeiro. A carne é do tecido muscular do coração (miocárdio, endocárdio e nervo vago). A carne e o sangue são do mesmo tipo sangüíneo (AB) e pertencem à espécie humana. No sangue foram encontrados, além das proteínas normais, os seguintes materiais: cloretos, fósforos, magnésio, potássio, sódio e cálcio. A conservação da carne e do sangue, deixados em estado natural por 12 séculos e expostos à ação de agentes atmosféricos e biológicos, permanece um fenômeno extraordinário" (destaque da parte final meu).

Novas comprovações e verificações laboratoriais foram feitas em 1981 - As análises, procedidas com absoluto rigor científico e documental de uma série de fotografias ao microscópio, deram estes resultados:

# A carne é carne verdadeira. O sangue é sangue verdadeiro;

# A carne e o sangue pertencem à espécie humana;

# A carne pertence ao coração em sua estrutura essencial;

# Na carne estão presentes, em secções, o miocárdio, o endocárdio, o nervo vago e, pela expressiva espessura do miocárdio, o ventrículo cardíaco esquerdo;

# A carne e o sangue pertencem ao mesmo grupo sanguíneo: AB. - Aqui cabe uma observação e uma curiosidade: O sangue tipo AB é característico e predominante no povo judeu(!), e é do mesmo tipo do sangue encontrado no Sudário de Turim(!);

# No Sangue foram encontradas as proteínas normalmente existentes e nas proporções percentuais idênticas às encontradas no sangue normal FRESCO, como se RETIRADOS DE UM SER HUMANO AINDA VIVO;

# No sangue foram encontrados também os sais minerais em proporções idênticas àquelas de um ser humano VIVO normal: cloro, fósforo, magnésio, potássio, sódio e cálcio.

# A conservação da carne e do sangue, deixados em estado natural durante doze séculos e expostos aos agentes físicos, atmosféricos e biológicos constitui fenômeno extraordinário.


***


Três fatores importantes merecem, na minha opinião, especial destaque:

1 - O primeiro é que se trata de carne e sangue de uma pessoa VIVA, vivendo atualmente, pois que esse sangue é como que tivesse sido retirado, naquele mesmo instante, de um ser vivo!

2 - Um segundo fato que impressiona: a carne que lá está é carne do Coração. A carne do músculo que propulsiona o Sangue – e portanto a vida – ao corpo inteiro, do músculo que é também o símbolo mais manifesto e o mais eloqüente do Amor.

3 – O sangue, que hoje se encontra na forma de coágulos, que são em número de cinco, apesar de serem bastante diferentes em tamanho e forma, apresentam, todos, EXATAMENTE O MESMO PESO, e mais: pesando-se todos os coágulos juntos, se obtêm, também, exatamente o mesmo peso!! OU SEJA, O PESO DE CADA UM DOS COÁGULOS É IGUAL, QUE TAMBÉM É IGUAL AO PESO DE TODOS ELES JUNTOS!! Só este fato, por si só, já representaria um Milagre, dentro de outro Milagre!


Então, bem... aí estão os fatos. Tiremos nossas conclusões. Podemos agora tentar interpretá-los, buscar explicações diversas... Mas não podemos negar a existência de um fato. Um caso como este é intrinsecamente diferente de outros que poderiam ser explicados como ação do “poder da mente”, fenômenos parapsicológicos, etc., visto que a própria parapsicologia o classifica como “Fenômeno Supranormal”, ou seja, simplesmente não há sequer algum esboço de explicação científica natural para o caso. Não foi um fenômeno ocorrido num espaço determinado de tempo, trata-se de um assim chamado “Milagre Permanente”, ou seja, ocorreu há cerca de 1300 anos e continua ocorrendo até hoje, na preservação inexplicável do Material.


"'Comei e bebei todos vós, isto é o meu Corpo que é dado por vós' - Mais do que uma simples simbologia, como possa parecer, é o sinal divino de que no Sacramento da Comunhão está o alimento da nossa esperança nas Promessas de Cristo...” (Tomás de Aquino)











Assista o filme (em português):