Vazio


"Apesar das necessidades básicas do Homem e os anseios do seu coração serem iguais, as maiores religiões do Mundo oferecem meios diversos e muitas vezes contraditórios para se preencher tais necessidades. Um relance à alguns tipos de fé e práticas mais comuns o torna evidente:

1. Crentes devotos de muitas fés tentam preencher suas carências espirituais freqüentando regularmente lugares de adoração como santuários, templos, mesquitas, catedrais, etc., onde fazem suas orações, queimam incenso e observam um grande número de tradições, cerimônias e rituais.

2. Algumas almas dedicadas estão dispostas a renunciar a todos os prazeres e possessões mundanas a fim de se devotarem inteiramente a várias práticas religiosas. Em vez de honrarem ou olharem para ídolos, imagens e representações do seu deus ou deuses, muitas procuram a Verdade e a realidade dentro de si, buscando a 'iluminação' através de intensa concentração, contemplação e meditação.

3. Algumas dessas pessoas que buscam a Verdade adoram um deus, enquanto outras adoram centenas ou até milhares de deuses. Algumas das maiores religiões do Mundo começaram simplesmente como filosofias de moral e ética, e os seus fundadores nunca tiveram a intenção de que nenhuma divindade ou deus fosse idolatrado. Contudo, hoje em dia, esses mesmos fundadores são adorados como se eles fossem deuses!

4. Para muitos crentes, a sua mais alta aspiração e maior esperança é sobreviverem à morte como uma personalidade individual numa vida feliz depois desta.

5. Outras zombam da idéia de continuarem a viver como indivíduos, e estão à espera da anulação do seu ego, para que venham a se fundir com a Realidade Máxima do Universo.

6. Algumas, ainda, acreditam que depois que morrerem voltarão a viver outras vidas na Terra, repetidas vezes, e que a vida atual é apenas um dos muitos nascimentos e renascimentos que continuarão indefinidamente até que se tornem um espírito de luz ou atinjam a realização completa.

7. Há também as que acreditam que o Homem vive apenas uma vida na Terra, e que portanto só têm uma chance de viver adequadamente e de alguma forma assegurar uma vida feliz após esta.

Com tantas crenças — muitas vezes contraditórias — como alternativa, é de se entender que alguém que busque a Verdade fique confuso. Principalmente pelo fato de que quase todas as maiores crenças no Mundo acreditam e afirmam que a sua doutrina é que é o caminho verdadeiro para a "iluminação", felicidade, salvação ou Céu!"


David Berg


Eu acrescentaria ainda, a essa ótima dissertação do pastor evangélico David Brandt Berg, que muitos buscadores, de tanto procurar sem sucesso por suas respostas, acabam encontrando alento em novas propostas que pipocam a todo momento, aqui e ali, com movimentos como o da chamada "Nova Era". Muitos afirmam que, basicamente, todas as religiões falam a mesma coisa, apenas de modos diferentes, e que todas nos levam aos mesmos resultados, infalivelmente (eu falei sobre isso no último post). Por isso mesmo, não precisaríamos nos preocupar muito com nada, porque tudo dará certo no final. Muitos acreditam nos reptilianos. Acreditam piamente em diversas teorias conspiratórias, desde o ataque às torres gêmeas de 11 de Setembro planejado pelo próprio Pentágono até os planos secretos de "domínio do mundo" pelos Illuminati, passando por uma mega-conspiração dos governos do mundo inteiro em nos "idiotizar", nós, cidadãos inocentes, para poderem nos dominar mais facilmente, através da implantação de micro-microships em nossos corpos, sem que saibamos, de várias maneiras. Através das campanhas de vacinação, por exemplo. Observem essa pérola constante no site “Nova Era”:
“Um cientista que trabalhava pra CIA contra a sua vontade me disse, há dois anos atrás, que na verdade os microchips eram tão pequenos que eles estavam sendo inseridos através de injeções durante as campanhas de vacinação pública. Essa é outra razão crucial para não vacinarmos nossas crianças (...) Por favor, sinta-se livre (você que me visita), para copiá-la (esta informação) e passá-la adiante”. - David Icke.

Detalhe: Na página principal deste mesmo site, logo abaixo do título, uma frase está em destaque: "Conhecereis a verdade, e ela vos libertará!"... Pois é. Onze entre dez seitas obscuras usam o nome de Jesus para aparentar um ar de seriedade às suas teorias malucas. Então, você que não concorda comigo nesse ponto, pense de novo: Será mesmo que todas as seitas e religiões são iguais, será que todas elas levam ao mesmo lugar e estão dizendo a mesma Verdade, apenas de modos diferentes?

Esse foi o tema do post anterior, e a razão de estar insistindo nele é por que essa era a conclusão que eu estava chegando, em meados de 2004, depois de tantas decepções em minhas incursões pelo universo das possibilidades religiosas. Começava a pensar que a solução seria misturar tudo, fazer uma boa “salada” de idéias e princípios, usando as coisas que me agradassem, desta ou daquela tradição, e descartando o que eu considerasse equivocado ou inútil.

Mas não demorei a perceber que deste modo seria impossível encontrar um caminho coerente, e que assim não estaria sendo verdadeiro comigo e muito menos com a minha proposta inicial de encontrar a Verdade. Isto é, eu poderia chegar a um sistema pessoal de crenças e escolhas coerente, que fizesse sentido para mim, mas essa nunca foi a minha intenção. A minha proposta desde o princípio sempre fora encontrar a Verdade, e não me contentar com menos. Não me bastava "ficar bem", o que eu queria era entender. O resultado, naquele momento, depois de tantas e tantas cabeçadas (que os que me acompanham já conhecem) foi que acabei desistindo das crenças.

Minha obsessão em ver além me levou a tantos desencontros que não podia mais suportar, e isso finalmente estava me cansando. Sucessivas decepções, uma após outra, desde a minha infância e adolescência... Cheguei a um estado de desânimo tal, que acabei me afastando da fé, que sempre fora minha característica mais forte.

Isso mesmo. Num dia que nunca mais me esquecerei, me retirei do mundo para meditar, como sempre fazia, desde os primeiros tempos da Busca, mas não consegui me desligar dos meus pensamentos angustiados. Eu tinha acabado de visitar a sede nacional da “Seicho-No-Iê”, no bairro da Conceição, em São Paulo, onde conheci a biblioteca, as diversas salas de palestras e estudos, e o grande templo (que de longe parece uma igreja católica, com uma imagem entalhada acima da porta de entrada, representando o fundador Massaharu Taniguchi abençoando todos os visitantes). Aprendi a "Oração pela Manifetação da Imagem Verdadeira" e os princípios da "Meditação Shinsokan"... Mas estava vazio por dentro. Tinha cansado.

Lembro-me de ter saído de lá desanimado, exausto dessa minha Busca. Logo ao lado do prédio da Seicho-No-Ie há o bonito e moderno complexo dos edifícos-sede do Banco Itaú, que tem um amplo largo de entrada, com uma grande escadaria que dá acesso ao parque arborizado que existe na rua abaixo. Nesse largo há dois grandes chafarizes, jardins cuidadosamente tratados, diversos bancos de pedra para os transeuntes poderem se sentar um pouco e relaxar por alguns preciosos minutos. Um belo e harmônico complexo, desenvolvido e conservado pela iniciativa privada, como quase tudo que funciona, no Brasil.

Àquela hora (14:30 PM) apenas uma ou outra criança, usando uniforme escolar, brincava por ali. Então me sentei num grande banco circular, todo em granito branco, de onde podia ver, no plano superior do grande jardim, uma grande e interessante “escultura de água” (uma estrutura metálica articulada que se movimenta aleatoriamente sob efeito da pressão da água, que sobe por cânulas e depois cai em cascatas, suavemente, do alto da estrutura, provocando um ruído como o de uma cachoeira).

A tranqüilidade, a quietude, os risos distantes das crianças brincando, abafados pelo suave ruído das águas... Tudo era um convite para a meditação. O aroma das flores, a sombra fresca das árvores... tudo era quietude à minha volta, menos eu próprio. Por quê? Por que, se eu procurava tanto, não conseguia encontrar? Via todos discutindo, ou querendo parecer felizes, dar a impressão de que encontraram suas próprias respostas, mas era tudo tão subjetivo...

As lembranças das minhas experiências inefáveis pareciam, naquele momento, apenas lembranças de sonhos distantes... Eu só conseguia pensar que tudo que procurei era muito belo, mas no fim, ninguém podia ter certeza de absolutamente nada. Meus pensamentos me fugiam: "Quem falou que temos que buscar algo mais elevado? E se tudo for apenas ilusão, e se eu estiver simplesmente enganado, sobre tudo?”... As palavras finais do “Manual do Messias”, no livro "Ilusões" ecoavam em minha mente: “Tudo neste livro pode estar errado”.

"Por que Deus não nos dá certezas? Se Ele quer que O busquemos, porque não aponta os caminhos, claramente? Como discernir o que é ilusão do que é experiência espiritual autêntica? Como saber até onde vão as sensações provocadas por efeitos puramente químicos, efeitos de substâncias em desequilíbrio nos nossos cérebros, e onde começa a realidade??"...

Não me conformava por estar me sentindo ainda no ponto de partida, como se em todo esse tempo eu não tivesse saído da “estaca zero” na Busca... Depois de tanto esforço, depois de tanta caminhada, tanto empenho. Uma desolação terrível me atingiu em cheio, e eu fui vencido. Puxei um caderninho velho que carregava comigo, de dentro do bolso da minha calça (sempre levava um caderninho para anotações, quando ia conhecer algum lugar novo), desenhei um círculo, sem começo nem fim, que representa o eterno retorno ao ponto de partida, e anotei:

“Vazio. A minha busca terminou hoje. É o fim de uma grande fase na minha vida. Não sei o que virá ou o que serei, daqui pra frente, já que os meus melhores esforços, por toda minha vida, foram no sentido de encontrar este Caminho, que hoje eu nem sei se existe. É só”.





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