Tudo novo!

É o seu filho!”...

“É o seu filho!”...

“É o seu filho!”...

Essas palavras ecoavam em meus ouvidos, quando eu despertei em minha cama, de manhã, coração repleto de uma intensa Paz. Embora para alguém que observe de fora possa parecer que essa frase não fazia muito sentido, naquele momento, a mensagem para mim foi claríssima. Eu entendi o seu significado de imediato. Em primeiro lugar, serviu para dissipar toda e qualquer dúvida que eu pudesse ter a respeito da realidade da vida espiritual. Uma mensagem explícita. Se essa mensagem partiu do meu próprio subconsciente (Jung explica?) ou do Universo; se foi apenas um sonho ou se foi meu "Anjo de guarda" me auxiliando naquele momento difícil, isso não importava tanto. O que importava era que, de um modo ou de outro, a Vida me reconduziu ao Caminho. Mesmo que eu quisesse, não sei se poderia ter escapado do meu destino...


Despertei do meu sonho (ou vivência?) com a mais absoluta certeza da realidade espiritual. Talvez pela primeira vez na minha vida, fé não era mais simplesmente fé. Era certeza! Agora eu sabia que a minha Busca nunca estivera fundamentada em delírios de alguém que nunca se conformou com a finitude e a aparente falta de sentido da vida. A minha história, minhas experiências extraordinárias... Tudo tinha sido tão real quanto esse teclado à minha frente, agora. Ocorre que, devido à minha fragilidade, de tempos em tempos eu vinha precisando de pequenas “provas” como essa. Precisei de muitos “atestados de autenticidade” do Infinito, para não me perder nem me desviar. Isso mostra o quanto não sou nenhum “iluminado”, nem “santo” ou “mestre”, como já disseram(rs). Sou o mais fraco e tolo dos homens, meu único mérito foi ter buscado com sinceridade, e ter sempre considerado essa Busca como a coisa mais importante. E fui fortemente abençoado por isso.

Sobre o sonho, me mostrou duas coisas:

#1 Os planos espirituais existem, e coexistem com essa nossa realidade comum, sem que percebamos (até aí, novidade nenhuma, mas experimentar 'na própria pele’ é completamente diferente de ouvir falar ou ler em algum livro).

#2 A mesma e primordial mensagem, repetida novamente: "Todos somos um!" - Todos são nossos irmãos, e filhos, e filhas, e pais e mães! Somos todos feitos de uma mesma "Massa Primordial", fomos gerados como um só. Uma oração cristã, cuja origem se perde na História, diz: “Fazei de nós um só corpo e um só espírito”. Jesus diz: "Tudo que fizestes a um dos meus irmãos, mesmo que seja o menor deles, a mim o fizestes" (Matheus, 25:40). E diz também: “Aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática, são minha mãe e meus irmãos" (Lucas, 8:21). O maravilhoso João Evangelista confirma, mais adiante: “Quem diz que ama a Deus, e não ama o seu irmão, mente” (I João, 4:20).

Quando aquele ancião me revelou que o rapaz que voava no campo gramado era meu filho, imediatamente compreendi o significado profundo daquelas palavras, um entendimento que entrou em mim como que num “estalo”, independente da minha inteligência ou capacidade de compreensão: Eu não deveria ficar triste pelo meu filho, porque todos ao meu redor são meus filhos, meus irmãos. Todos somos parte de uma mesma Família Cósmica, e nos preocuparmos somente com “os nossos” não deixa de ser um tipo de egoísmo. Mais uma vez, o Mestre dos mestres com a palavra:

“Se amardes apenas os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim também os pecadores?” - Matheus, 5:43–47

A afirmação de que aquele rapaz, que eu nunca tinha visto antes, era meu filho, tinha um significado muito mais profundo do que aquele que talvez possa transparecer numa primeira impressão. Não significava que ele tivesse sido meu filho numa encarnação passada, ou que viria a ser meu filho no futuro, nem nada parecido com isso. Significava que eu devia parar de me preocupar somente com os meus próprios problemas e abrir os meus braços e o meu espírito para a Grande Família Humana, da qual eu fazia parte!

Assim recuperei minha fé. Mas agora resolvera que deveria seguir a vida do “meu jeito”, vivendo um dia de cada vez, sem me preocupar tanto em buscar caminhos nas diferentes maneiras que os homens inventaram para tentar encontrar suas Respostas. Abandonar a Busca, enfim, e simplesmente ser "eu mesmo".

Mas esta não foi a primeira vez que tentei abandonar a Busca, deixando de lado as preocupações e confiando apenas e tão somente nos meus instintos, garimpando aleatoriamente ensinamentos de algum mestre aqui e ali. Já tinha tentado fazer isso muitas vezes antes, no passado, em especial quando descobri as religiões da tradição oriental baseadas na doutrina “Advaita”, que significa “não dual” ou “não diferente”, e ensina que todos somos Deus; e que sendo assim, todas as vias seriam válidas, não existiriam o mal e o sofrimento (tudo já é como deveria ser). Não precisaríamos buscar absolutamente nada, porque a perfeição já existe e está presente, só temos que prestar "atenção". Na verdade, eu vivi segundo esses princípios por muitos anos. Toda a minha fase de incursões pelo Budismo e pelo Hinduísmo, e o meu longo período de estudo e prática do Yoga foram uma forma de “Busca através da não-busca”, se é que me faço entender. Esse modo de entender a Vida era sem dúvida apaixonante, convidativo. Parecia libertador, trazia conforto e alívio... Mas, depois de um tempo, comecei a perceber que viver essa filosofia, na prática, não funcionava... "Deus está em tudo e tudo está bem"? "Tudo é harmonia no Universo"? - Como eu já disse, aqui, isso podia ser verdade sob uma ótica muito profunda, altamente filosófica. Mas no dia-a-dia, "na real", mesmo, simplesmente acreditar que tudo está bem e que eu não precisava fazer nada, acabou me levando a um estado de inanição espiritual e apatia. Além disso, olhando ao meu redor, eu não via harmonia. Longe disso. Via caos, ódio, violência, incompreensão, inveja, corrupção... seres humanos em franco processo de involução, cada vez mais dominados pelo materialismo e pela luxúria... Sim, talvez todas as possibilidades que buscamos estejam presentes dentro de nós mesmos, de forma latente. Mas estas capacidades encontram-se como que "atrofiadas" pelo não uso, "adormecidas" dentro de cada um. Fazê-las "despertar" envolveria, eu descobri, um trabalho diligente e constante de auto-aprimoramento.

Gostaria também de deixar claro que (apesar de talvez não ter ficado evidente nos meus relatos até aqui), eu também vivi longos períodos em que “deixei tudo pra lá” e tentei apenas viver, simplesmente. Cuidar da minha “vidinha”, pensar só nas coisas simples e esquecer essa história de encontrar o que não pode ser encontrado... Mas a Vida sempre me chamou de volta, muitas vezes com grande contundência.

E agora eu estava de volta, novamente achando que devia seguir o meu caminho, do “meu jeito”, ou seja, solitariamente. Pensava: “Não preciso de religião, não preciso de nenhum 'caminho' para seguir, a não ser o verdadeiro Caminho espiritual, que é viver em paz comigo e com a minha consciência”. Mas já sabia que precisava me manter “antenado” com a espiritualidade, caso contrário os cuidados imediatos da vida materialista me afastariam novamente. Isso também já tinha acontecido muitas vezes.

Sempre gostei de meditação coletiva. Para mim é uma experiência diferente da meditação solo, principalmente quando todos os participantes estão numa mesma “sintonia”. Um belo dia, resolvi procurar na Internet informações sobre “grupos de meditação”. Aparentemente essa breve pesquisa não implicaria na descoberta de nenhuma novidade, já que a meditação tinha sido uma das minhas primeiras grandes descobertas (logo percebi que se tratava de uma poderosa ferramenta a ser utilizada na Busca interior; e desde então eu nunca mais tinha abandonado a sua prática). Por isso mesmo eu nunca poderia imaginar a diferença que essa busca pequenininha faria na minha grande Busca...


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