A Verdade onde menos se espera - parte 2

Agora começo a explicar o porquê do título desse post em quatro partes. Tudo começa num dia de semana comum...

Ou melhor, uma noite de semana comum. Hana e eu costumávamos nos exercitar regularmente com pesos, em casa, com algumas barras e halteres que eu adquiri, já há muito tempo, e que volto a usar sempre que me olho no espelho e me acho fora de forma... Enquanto eu completava minha série de 4 repetições para os deltóides, Hana, confortavelmente esticada sobre o nosso novo sofá-cama meio armado (no modo semi-cama, semi-sofá ele vira um divã), zapeava pelos canais da TV, ao acaso (acaso?). Fui até a cozinha buscar um copo de água gelado, quando ouvi a voz de um conhecido animador de programa de auditório falando algo mais ou menos assim: “Eles são verdadeiros discípulos de Cristo, vivem fielmente segundo o exemplo de Francisco de Assis...”. Hana parece que pressionava os botões do controle remoto assim, como fazemos às vezes, como que hipnotizados, gesto automático, sem prestar atenção em nada, porque pulou para o próximo canal como se nada de interessante tivesse sido dito. Fiz descer, apressado, aquele gole de água gelada, e gritei pra ela: “Volta lá!!” – Ela, sem entender, respondeu: “Pra onde??” – E eu: “Naquele canal, onde falavam de São Francisco!”...

Nos quadrinhos, o “sentido de aranha” do Spider Man “dispara” nas situações em que ele está correndo algum perigo. No cinema, Luke Skywalker (de Star Wars) percebe oscilações na “Força”, quando seu pai, o herói-vilão (ou será vilão-herói?), Anakin / Darth Vader está por perto. Os verdadeiros buscadores, se estiverem atentos (como devem estar sempre) também podem sentir quando o Universo “fala” com eles. E eu realmente acredito que aquele foi um desses momentos. Hana voltou ao canal, que era o 13, aqui de São Paulo, a “Rede Bandeirantes”. O apresentador era o Gilberto Barros, o “Leão”, no seu tradicional programa noturno. A matéria especial sobre os “toqueiros” estava apenas começando, e eu tive tempo de assistir à reportagem quase completa.

A "Toca de Assis" é uma ordem cristã-católica composta por jovens leigos e religiosos (os chamados ‘toqueiros’), que abandonaram suas vidas comuns para se dedicarem, integralmente, ao cuidado dos pobres e sofredores. Fiquei impressionado ao saber, pela TV, que esta comunidade é composta por muitos jovens das classes sociais mais altas, que abriram mão de tudo que o mundo pode oferecer para seguir o chamado da sua fé. Vivem agora em casas de fraternidade e acolhida.

A reportagem visitou e mostrou algumas dessas casas de acolhida, que servem de abrigo para os sem-teto que eles recolhem, freqüentemente, em sarjetas e vãos de viadutos pela cidade afora, e em prol dos quais dedicam suas vidas e sua juventude, alimentando-os, servindo-os de todas as formas; cuidando dos doentes e de suas feridas, dando banhos diários nos que não podem fazer isso sozinhos. A instituição acolhe todos os tipos de desamparados: Moradores de rua que não tem a quem recorrer, imigrantes dos Estados mais pobres que chegam a São Paulo fugindo da seca e da fome, e não tem o que comer nem onde morar, idosos abandonados por suas famílias, alcoólatras e viciados em drogas, deficientes físicos e mentais que não tem para onde ir...

Ainda fiquei sabendo, através da reportagem, que eles preparam, carinhosamente, todos os dias, para esses “irmãozinhos acolhidos” (é assim que chamam), café da manhã, almoço, café da tarde e jantar, com alimentos que provém exclusivamente de doações. Servem primeiro a todos os internos e são sempre os últimos a comer. Se sobrar comida. Isto é: Se sobrar, comem, se não sobrar, fazem jejum. As casas de fraternidade e acolhida são grandes, com quartos grandes e muitas camas, mas a maioria dos toqueiros dorme no chão, à noite, para deixar o maior número possível de leitos disponíveis para auxílio dos sofredores.

Os “guardiões”, que são “consagrados” e são os responsáveis por cada uma das casas de acolhida, usam os hábitos marrons dos frades capuchinhos, como São Francisco de Assis. Andam quase sempre descalços. Nas horas vagas fazem música. O grupo que foi ao programa do Leão cantou e dançou (música religiosa de alta qualidade, arranjos refinados e vozes afinadas). Moços e moças de todas as cores, todas as raças, todas as classes sociais, que deixaram suas casas e vidas comuns para abraçar a vida religiosa e de serviço ao próximo. Estão sempre sorrindo, e pareciam muito felizes...

Saber da existência de uma realidade como aquelas nos dias de hoje e em nossa sociedade, bateu forte dentro de mim. Eu, que tanto procurei, como nunca tinha ouvido falar deles? Não pude evitar a comparação, de imediato, com os muitos falsos yogues, monges, místicos e esotéricos que conheci no decorrer da minha busca, preocupados somente com aparência e vaidades. Quantas diferenças traziam estes jovens simples, devotados de corpo e alma a viver o único mandamento de Jesus: “Amai-vos, como eu vos amei...”. Aquilo sim, era a verdadeira “prática espiritual”. Para entender um pouquinho melhor do que estou falando, abram este link e desçam até o final da página que vai abrir. Gostaria também que dessem uma olhada neste outro aqui.

Procurei por endereços da "Toca" na internet. Não havia nenhum site oficial, na época, nem informações na internet sobre essa Ordem tão reclusa. Encontrei apenas um site de uma revista regional, cujo endereço nem me lembro mais, desatualizado há mais de um ano, onde constava uma breve matéria sobre o tema e um endereço no bairro Vila Sônia, Butantã, extremamente longe de onde eu morava na época. Mas eu tinha que conhecer essas pessoas de perto.



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