Projeção astral e EQM

Publicado originalmente por H K Merton em 24 de Dezembro de 2006 às 11:12 AM

Abro os olhos. É madrugada (A madrugada de um sábado para domingo, há uns dez anos – o que vou contar agora ocorreu pouco antes dos fatos narrados no post anterior). Tudo em volta está escuro, só a suave luminosidade de alguns raios de lua passam por entre as frestas da cortina, na janela do meu quarto. Estou deitado de barriga pra cima, olhando o teto, e estou sem sono. Completamente sem sono. Depois de um tempo “pensando na vida”, resolvo me levantar e descer (eu morava num sobrado) até a sala para assistir um pouco de TV, e talvez dar uma passada na cozinha antes, para um copo de água gelada. Foi então que algo muito estranho aconteceu:

Me levantei e fui até a porta do quarto, mas quando fui abri-la... minha mão simplesmente atravessou a maçaneta, como se ela (a mão) fosse feita de vapor! Desculpe-me por contar algo assim tão incomum com essa naturalidade, mas é o único meio que encontro. Eu estava ainda meio entorpecido, afinal tinha acabado de acordar, e talvez por isso não tenha me espantado tanto, na hora, como seria de se esperar. Tentei abrir a porta novamente, e aconteceu a mesma coisa: Minha mão parecia não mais constituída de matéria sólida, ela insistia em atravessar a maçaneta(!). De repente, senti um calafrio: de um estalo, compreendi que eu ainda estava dormindo, ou seja, eu deveria estar sonhando... Ou então, eu estava de pé, ali, em espírito, ou em “corpo sutil”, “corpo etéreo”, “duplo etérico”, ou como quer que prefiram chamar!

Pensei em me voltar e olhar para a cama, pra ver se o meu corpo continuava lá, deitado. Mas eu não sei explicar porque, tive medo de fazer isso. Ali, naquele momento, sozinho no escuro, eu não queria me virar para olhar o meu próprio corpo, separado de mim, como se eu estivesse morto. Hesitei por alguns minutos, sem saber o que fazer; mas não apavorado, apenas confuso. E então tive uma idéia insólita: Reclinei-me para frente, em direção à porta, até tocá-la com a minha testa. Aí, estiquei um pouco mais o pescoço para a frente, e... aconteceu algo ainda mais estranho: minha cabeça atravessou a porta, e eu fiquei assim, com a cabeça e uma parte do pescoço pro lado de fora do meu quarto, atravessando a porta fechada, e o resto do corpo dentro do quarto!!!

Contando isso, agora, não consigo descrever o quanto uma experiência como essas pode ser assustadora. É claro que eu já tinha lido muita coisa sobre experiências fora do corpo, desdobramento astral, EQM (Experiência de Quase Morte), e um montão de assuntos como esses, mas uma coisa é ler ou ouvir falar sobre, outra bem diferente é viver uma situação como essas. Nessa hora, sim, eu me apavorei, tentando entender o que estaria acontecendo, e o que veio a seguir foi algum tipo de “black out”; como se a “tomada” da minha consciência tivesse sido desconectada de repente. Logo depois, voltei a acordar, deitadinho na minha cama, como se nunca tivesse saído de lá, e tudo tivesse sido apenas um sonho muito realista. Ainda assustado, me sentei e esfreguei o rosto, tentando assimilar o que havia acontecido. Será que eu tinha me “desdobrado”? Depois de um tempo, o sono voltou, e eu dormi novamente.


No dia seguinte, eu me lembrava de ter visto, quando minha cabeça atravessou a porta e olhei para fora do meu quarto, a luz azulada da TV refletida na parede, no final das escadas. Do que só podia concluir que a TV estava ligada, na sala. Como naquele final de semana eu estava recebendo a visita do meu pai, logo que o vi, pela manhã, perguntei se ele tinha ido dormir muito tarde, na noite anterior. Ele respondeu que sim, que tivera dificuldades pra pegar no sono e que tinha ficado assistindo TV até de madrugada...

Eu não vou, aqui, me prestar ao trabalho de tentar convencer ninguém da veracidade dos fenômenos das experiências fora do corpo, nem nada desse tipo. Até porque, eu próprio não estou convencido, até hoje, de que tenha sido isso o que aconteceu naquela noite. Talvez tudo tenha sido, mesmo, apenas um sonho. Afinal, eu costumo ter sonhos curiosos. E sonho muito, com muita freqüência, e costumo me lembrar de tudo, depois. Basta cochilar no metrô, por 10 minutos, e de repente lá estou eu, esquiando na neve, saltando de pára-quedas ou brincando com peixinhos no fundo do mar... Mas que esse sonho foi meio diferente, eu reconheço. E esse foi o princípio do meu interesse maior por projeção astral e fenômenos afins.

Meu primeiro contato mais direto e mais aprofundado com o tema foi numa palestra do Profº Wagner Alegretti, o pupilo favorito do Profº Drº Valdo Vieira (ex-espírita, ex-médium, ex-amigo do Chico Xavier, pesquisador incansável dos fenômenos espirituais, em especial as capacidades projetoras do ser humano e fundador/diretor do I I P C - Instituto Internacional de Conscienciologia e Projeciologia). Assisti esta e várias outras palestras sobre o tema, com muito interesse. Cheguei a fazer alguns cursos no Instituto, cuja sede em São Paulo ficava na Av. Paulista. Conheci e troquei correspondências com a famosa Cida Cavalcânti, protagonista de um dos mais comentados casos de EQM ocorridos no Brasil, em todos os tempos (capa da revista Superinteressante de Agosto/2005), que afirma ser capaz de deixar o corpo físico a qualquer hora que queira. Sobre o que conversamos, o que eu aprendi sobre o assunto e quais as minhas conclusões a respeito desse tema, eu pretendo falar no próximo post. Afinal, você deve estar cansado dos meus textos gigantescos. Até.



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