Projeção astral e EQM - conclusão

Publicado originalmente por H K Merton em 06 Dezembro 2006 às 8:59 PM

O que eu poderia concluir, depois de tudo que contei no último post?

É possível, a qualquer ser humano comum, aprender alguma “técnica” especial para aprender a sair do corpo? Baseado na minha própria experiência, numerosos testemunhos que colhi e em em meus estudos aprofundados, que incluem entrevistas com diversos professores do IIPC, estou convencido de que a resposta é não.

Além disso, resolver toda essa discussão, de uma vez por todas, seria na verdade muito simples: ora, se alguém pudesse realmente se "projetar" extra-corporalmente no astral, no momento em que bem desejasse, isso não seria muito fácil de se comprovar através de uma experiência extremamente simples? Ocorre que aqueles que se autodenominam “projetores conscientes” afirmam poder dar a volta ao mundo em segundos, estar em qualquer lugar que queiram, e com a velocidade do pensamento, quando libertos dos seus corpos físicos, certo? Conseqüentemente, seria tudo realmente muito simples: em vez de ficar discutindo, tentando convencer as pessoas através de exemplos e teorias complicadas, bastaria alguém sair do corpo e dizer o que está acontecendo num outro lugar (como foi proposto naquele já antológico programa "Globo Repórter, e nada aconteceu...).

Uma vez eu falei o seguinte pra um desses “projetores”: “Você quer que eu acredite, mesmo? Fácil: Eu vou te dar o meu endereço e explicar como chegar lá. Nós combinamos um dia e horário, você vai até lá em 'corpo astral' e me diz o que eu vou estar fazendo naquela hora. Se você fizer isso, se você ao menos me disser qual é a cor da parede da minha sala, então eu acredito que você pode viajar no astral”. O gajo foi pego de surpresa. Hesitou um pouco, começou a mexer as mãos, nervosamente, depois sorriu amarelo: “Ah, mas é melhor você experimentar por si mesmo”...

Claro, a desculpa é sempre a mesma. E pra experimentar por mim mesmo eu tenho que pagar e fazer o curso, certo?.. Acho que se esse país fosse sério, essas instituições seriam fechadas e os responsáveis impedidos de continuar enganando as pessoas. Eu não costumo fazer afirmações aqui, quando se trata do imponderável. Mas esse assunto merece que eu abra uma exceção: Não existe esse negócio de "projetor consciente". Se existisse, isso já teria sido comprovado, definitivamente e de forma inapelável, há muito tempo.

Mas e o fenômeno em si, existe? É real? - Essa é uma outra questão, e eu acho plenamente possível que a resposta seja sim, por diversos e concretos motivos:

1. O testemunho de inúmeras pessoas idôneas e respeitáveis;

2. A imensa quantidade de casos relatados: pesquisas internacionais apontam que algo entre 6 e 26% dos ressuscitados nas UTIs pelo mundo afora (isso é muita gente!) vivenciam experiências desse tipo em algum nível, sendo que muitos desses pacientes eram declaradamente pessoas céticas, antes de passar por essas experiências;

3. Os vários pontos em comum entre todas as narrativas, mesmo antes da era da globalização, levou diversos neurocientistas à conclusão de que se tratam de mais do que apenas mentiras ou delírios;

4. Em diversos casos, a morte cerebral permaneceu por um período de tempo que, clinicamente, impossibilitaria a continuidade das faculdades cerebrais normais, no caso de o indivíduo vir a se recuperar. Mas esses pacientes voltaram às suas vidas normais depois de passar por uma experiência de EQM;

5. Este assunto foi uma espécie de tabu para os cientistas até a virada do milênio. Hoje, sem ligar muito para a rejeição dos acadêmicos, diversos cientistas dos EUA e Europa se propõem a estudar o fenômeno com metodologias sérias e 100% científicas;

6. Processos cerebrais que foram ativados durante eventos de uma EQM já foram detectados. Isso prova que algo real aconteceu com essas pessoas. Exemplo: quando você está com fome e se depara com um prato com uma deliciosa fatia de lasanha aos 4 queijos, fumegante e perfumada, bem diante de você, seu cérebro detona um processo que ativa as glândulas salivares e culmina na sua boca cheia “d´água”. Se você, no dia seguinte, novamente com fome, apenas se lembrar da lasanha, a salivação ocorre do mesmo jeito. - Só de se lembrar. - Então, a simples ocorrência do processo de salivação prova que você um dia saboreou essa lasanha, sabe que ela é gostosa, cheirosa, etc. O mesmo ocorreu nos cérebros de pessoas que vivenciaram EQMs ao relatarem suas experiências extra-corpóreas.

7. Experiências extracorporais incluem lembranças de fatos ocorridos enquanto os pacientes estavam desacordados. Por exemplo, um homem em coma atendido pela equipe do médico holandês Pim van Lommel teve a dentadura retirada. Acontece que essa dentadura foi perdida pela equipe médica. Mas o paciente reconheceu a enfermeira que lhe retirou a dentadura e disse que ela a tinha guardado num carrinho de instrumentos cirúrgicos, coisa de que ela não se lembrava mais. E ele estava certo. Casos como esses são numerosos.

Nós podemos escolher entre acreditar no fenômeno das EQM ou não, mas é um fato que não há explicação satisfatória para casos como esses, a não ser a própria alegada "viagem" da consciência. Qualquer tipo de memória de um período em que a atividade cerebral for igual a zero é cientificamente impossível. E os casos estão aí.


Concluindo, eu acredito no fenômeno em si, mas também acredito que ele acontece quando deve acontecer, por razões específicas que nós não sabemos ainda como entender ou controlar.

Atualmente, a situação está no seguinte pé: O médico britânico Sam Parnia pretende provar, usando meios estritamente científicos, e com a ajuda do colega Dr. Peter Fenwick, que a mente não depende do cérebro. Se bem sucedida, suas experiências podem vir a dissipar as controvérsias a respeito da EQM através da observação objetiva: seu estudo, que deve durar até 5 anos, envolverá 1.500 pacientes na Inglaterra. Como as experiências extracorporais costumam ser narradas da perspectiva de quem flutua logo abaixo do teto, Sam vai posicionar telas de TV com seqüências aleatórias de imagens que só poderão ser vistas dessa posição. O ambiente será monitorado o tempo todo, assim como os sinais vitais do paciente no leito. Caso um paciente venha a identificar quais figuras foram projetadas durante sua morte clínica, estará provado que ele “voou” pela sala de cirurgia, já que as imagens serão impossíveis de serem vistas de baixo.

Isso abriria um campo de estudos completamente novo para a ciência, que pressupõe que a mente e a consciência são produtos do cérebro, mas até hoje não explicou como um conjunto de circuitos elétricos pode gerar uma percepção individual do mundo e do próprio indivíduo.



Fontes e bibliografia:
"What Happens When We Die – a Groundbreaking Study into the Nature of Life and Death" - Sam Parnia, Hay House, Reino Unido, 2005;
"Why God Won’t Go Away – Brain Science and the Biology of Belief" - Andrew Newberg, Eugene D’Aquili e Vincent Rause, Ballantine, EUA, 2001.




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