O.V.N.I.?

Publicado originalmente por H K Merton em 18 de Outubro de 2006 às 4:59 PM

O ano é 1973. São aproximadamente 21 horas. Estou na sala da minha casa, na Vila Zelina, bairro da região leste de São Paulo. Estou quase certo de que é uma quarta feira e estamos assistindo, eu e meus pais, a mais um episódio da série "Kung Fu", com o David Carradine. Subitamente, entra meu irmão, esbaforido, olhos arregalados, gritando e gesticulando: "Vem ver! Vem ver!" - "O que foi?" - Perguntam em coro meu pai e minha mãe, mas ele já tinha saído novamente, correndo, em direção ao quintal, e de lá de fora podemos ouvir sua voz eufórica: "Disco-voador!!"




Saímos todos para o quintal, meu irmão já subiu no muro, para ver melhor. Meu pai e minha mãe soltam exclamações desconexas, abismados. Eu olho para o céu, na mesma direção que eles, para o lado oeste. E vejo algo que nunca mais esqueceria (Tanto que estou contando para vocês, trinta e três anos depois): Um luz em forma circular/esférica desfila pelo céu, que está muito limpo nesta noite. Algo como uma "esfera" de cor alaranjada, de um tom muito bonito, semelhante à cor de carvão em brasa. Essa "forma" faz evoluções, vai e volta, sobe e desce, tudo numa velocidade vertiginosa. Faz movimentos elípticos, depois geométricos. Acelera e desacelera de uma maneira completamente impossível. Eu tenho seis anos de idade. Peço ao meu irmão que me pegue, me coloque também em cima do muro, ao seu lado, para poder ver melhor. Ele me atende sob os protestos e pedidos de "Cuidado!" de minha mãe. Por alguns preciosos segundos, talvez um minuto ou um pouco mais, permanecemos os quatro, eu, meus pais e meu irmão, assim, anestesiados, observando aquele "show" surrealista, inesquecível. É uma sensação como a de se estar sonhando, mas estamos todos bem acordados. De repente, de modo ainda mais improvável, a esfera some. Simplesmente desaparece. Lembro-me que isso, o fato de ter desaparecido, me impressionou mais do que a aparição em si. No dia seguinte e durante toda a semana, o assunto preferido nas rodas de conversa do bairro é a aparição do fenômeno. Muitas outras pessoas também tinham visto o que chamavam de "UFO".

O ano é 1984. Eu e meu irmão fomos ao shopping center Iguatemi, aqui em São Paulo, assistir ao filme "Um Tira da Pesada", com o Eddie Murphy. E morremos de rir. Na saída, paramos numa cantina italiana para devorar uma mezza portuguesa mezza quatro formaggio. Caminho de volta. Já devem ser algo em torno de uma e meia da manhã (não me lembro o dia da semana, provavelmente uma quinta ou sexta). Estamos passando pela Av. D. Pedro II, no bairro do Ipiranga, mais ou menos no meio dela, quando eu olho pela janela do carro e vejo uma lua cheia extremamente brilhante e muito bela. Eu digo: "Olha como a Lua está bonita! Cheia e enorme!" - Meu irmão responde: "É mesmo..." - Até aí, tudo parece normal, mas quando eu olho pra ele, percebo que está olhando para o lado oposto de onde está a lua que eu vi! Então eu digo: "Mas ela está desse lado!" - E ele: "Não, ela está aqui, olha!" - Eu olho para o ponto que ele mostra, no céu, e me sinto gelar. Ele tem razão! A Lua estava do outro lado, o lado da janela dele, do carro. Só que do meu lado havia uma outra "Lua"! Um objeto(?) prateado, circular, muito brilhante, que poderia mesmo ser confundido com a Lua. Mas agora que eu sabia que não era a lua, observando bem, percebia que não tinha o mapa lunar. Era completamente "lisa", brilhante por inteiro, e mais fulgurante do que o nosso satélite natural. E estava acompanhando o carro!!

Quase posso sentir a incredulidade de muitos que vierem a ler estas linhas. Acho que é porque eu, muito provavelmente, não acreditaria, se alguém me contasse. E se estava difícil acreditar até agora, esperem só pelo final...

Meu irmão também viu o UFO(?). E ficou muito impressionado. Era impressionante olhar para um lado do céu e ver a Lua, e olhar para o lado oposto e ver uma segunda "Lua"! Prosseguimos com o OVNI dando a impressão que nos acompanhava, até a praça do Monumento do Ipiranga (Lá mesmo, onde D. Pedro I deu o famoso grito...). Naquela época, a praça não era cercada, como hoje, era possível parar o carro e ter acesso direto àquela grande área verde. Meu irmão estacionou o carro na praça, apressado, de qualquer jeito. Estávamos afobados, meio sem respirar. Percebemos que já havia uma meia dúzia de carros parados, de pessoas que também passavam por ali e viram o fenômeno. É uma sensação muito curiosa que se experimenta, numa situação tão inusitada, como de se estar "anestesiado"... Lembrei-me das passagens bíblicas que associam "Sinais no céu" ao advento do fim dos tempos.

Descemos do carro. Era uma noite quente, mas havia uma brisa fresca à essa hora, lembro-me bem. Todos olhavam para o céu (óbvio) e lá estava ele... E de repente já não estava mais. Todos continuam procurando, e então... de uma hora para a outra, simplesmente toda a "abóbada celeste", toda a região visível do céu, começa a "piscar", em alta velocidade!! Como se estivéssemos dentro de um quarto escuro e uma criança travessa estivesse pressionando, intermitente, a tecla de acender/apagar a luz! Todo o céu ao nosso redor acendia e apagava, uma vez atrás da outra, num ritmo muito rápido, sem parar. Era como uma série de raios, mas sem trovão, sem nenhum som, iluminando o céu; um após o outro, a intervalos regulares e curtos, matemáticos. Mas não havia nenhum raio, apenas os flashes brancos de luz. Fortíssimos.

Eu vi as pessoas ao meu redor. Olhos arregalados, não mais do que os meus próprios deveriam estar. A sensação que pairava no ar era algo como: "O que vem agora?" Confesso que foi assustador, inquietante. Mas eu não tive medo. Como não tive da primeira vez, quando tinha seis anos de idade. Esse fenômeno, do céu piscando, deve ter durado cerca de um minuto. E do mesmo jeito que começou, parou.


No dia seguinte, passando numa banca de jornais, pude constatar que a primeira página do "Diário Popular" trazia a seguinte manchete: "Aparição de OVNI Assusta Moradores da Região do Ipiranga, Cambuci, Vila Prudente e Arredores". Se fosse hoje, eu teria comprado um jornal para guardar, até como referência. Na época, eu não pensei nisso.

Estou certo de uma coisa: O que eu vi, nas duas ocasiões que descrevi, não era algo deste mundo(!). Não era algo que faça parte da "nossa realidade". Era qualquer coisa que está completamente fora do conjunto das coisas que entendemos por "normais". Posso afirmar isso com certeza e honestidade, baseado em alguns fatos muito simples:

- No caso do primeiro avistamento, de quando eu tinha 6 anos - Os movimentos que o "objeto" fazia no céu seriam absolutamente impossíveis para qualquer avião, helicóptero, balão, satélite ou qualquer tipo de veículo de fabricação humana. Muito menos poderia se tratar de estrela, meteoro ou asteróide, devido à sua forma e, principalmente, movimento. O grau de aceleração e desaceleração, e as curvas que foram executadas, seriam capazes de romper qualquer material terrestre, e nenhum sistema de propulsão seria capaz de chegar nem perto daquilo.

- Tanto o primeiro quanto o segundo objetos, eu posso afirmar com certeza que eram dotados de movimentos guiados, provocados "artificialmente", e pareciam estar se mostrando propositalmente aos expectadores em terra. Digo isso baseado nas evoluções espetaculares que faziam.

A quem estiver interessado, deixo o caminho para assistir um filme onde poderão ver algo bastante parecido com o que eu vi quando era criança. A grande diferença é que o OVNI que eu vi parecia muito maior e mais fulgurante do que o que se vê neste filme, e as incríveis manobras, que são a principal evidência de que não se tratava de qualquer fenômeno comum ou natural, também não estão presentes. Mas a cor e a forma são semelhantes. - Entrem no site da TV Infa e cliquem na opção "30/06/2006 - O Filme da Mikson". Depois de uma breve entrevista com o cinegrafista que fez o filme, Heraldo, vocês poderão assistir à filmagem na íntegra e depois uma reportagem do programa "Fantástico" sobre o tema.

Antes e depois dos avistamentos que relatei, eu sempre tive sonhos extremamente vívidos com OVNIs. Um dos que mais me marcou, foi assim:

Eu acordo em minha cama, no meio da noite. Sinto-me desperto, sem sono pra voltar a dormir, e começo a experimentar uma forte atração me impelindo a levantar e caminhar até a janela. Eu faço isso, e vejo uma "frota" de objetos voadores no céu escuro, bem acima da minha casa. Eu saio até o quintal, e continuo observando, em silêncio. Há muitos deles, alguns maiores e outros menores. Eles vêm e vão. Sinto uma compulsão irresistível de seguir estas luzes, elas parecem me atrair a sair de minha casa... Eu saio à rua, sempre olhando para o céu e acompanhando os OVNIs. Ando pela rua até chegar num viaduto próximo. Eu começo a subir o viaduto, sempre atraído pelas "naves", e quando chego no ponto mais alto, paro. Então, a maior delas começa a descer, vindo em minha direção. Ela chega muito perto de mim, como se fosse me "pegar", de alguma maneira. Então, agora sim, eu me assusto. Mas fico estático, sem me mover. A nave chega realmente muito próximo, logo acima de mim, e eu vejo que é muito grande. É fantástica! Não me lembro bem dos detalhes, para descrever como era, apenas me lembro que havia muitas luzes, de muitas cores. E que não se parecia com um disco, era mais como alguma espécie de "máquina", de formato alongado. E se mantinha no ar sem fazer nenhum ruído. O pavor agora toma conta de mim, meu corpo todo fica paralisado.

Então eu acordo em minha cama, e já é de manhã. Sem me lembrar de nada do que aconteceu depois. Estou cansado, com a sensação de que não dormi a noite, mas olhando no relógio vejo que já são 9 horas.





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