Outro recomeço, outra tentativa... - conclusão

Publicado originalmente por H K Merton em 09 de Janeiro de 2007 às 10:23 PM


O homem que se chama Sathya Narayana Raju, ou simplesmente Sai Baba, é uma figura extremamente controversa, para os que se dedicam a estudar espiritualidade, disso não resta a menor dúvida. Muitos o consideram como um grande sábio ou santo. Outros ainda acreditam piamente que ele seja de fato uma encarnação divina, um Avatar (na verdade um Purnavatar**) comparável ao que representa Krishna para o hinduísmo ou Jesus para o cristianismo, encarnado na Terra para reconduzir a humanidade ao caminho correto. Mas também não faltam aqueles que o vêem como um charlatão, que usa truques de salão para ludibriar os ingênuos.

**Haveriam dois tipos de avatares: Os 'Amshavatares' e os 'Purnavatares'. Amshavatares seríamos todos nós, seres humanos que não deixam de ser, de certo modo, encarnações divinas(parcialmente), porém ainda presos às ilusões de Maya, vivendo vidas mundanas e escravos de apegos e vícios. Os Purnavatares seriam os que já transcenderam as ilusões mundanas, manifestando sua divindade para o mundo. Estes últimos estão completamente livres das dificuldades e limitações do mundo físico.

Não há como negar que as palavras de Sai Baba nos trazem grande conforto e são imbuídas de grande sabedoria e beleza, como se pode observar nos exemplos que eu transcrevo abaixo:

"O amor não age com interesses; o egoísmo é falta de amor. Amor vive de dar e perdoar e o egoísmo vive de tomar e esquecer".

"Deixem que existam diferentes religiões, deixem que floresçam, deixem que a glória Divina seja louvada em todos os idiomas do mundo. Respeitem as diferenças entre religiões e reconheçam-nas como válidas, sempre que estas diferenças não tratem de extinguir a chama da irmandade do homem e a paternidade de Deus".

"A verdadeira finalidade da educação é a formação do caráter".

“A alma nasce neste mundo e viaja através dos reinos da experiência sensorial para adquirir a consciência de Deus”.

“Sejam seu próprio Guru, seu próprio mestre, a lâmpada existe dentro de vocês mesmos. Acendam-na e prossigam sem temor”.



Toda a história da sua vida, como contada por seus devotos, está repleta de acontecimentos misteriosos e sobrenaturais. Conta-se que já o seu nascimento foi precedido por fatos extraordinários: Quando sua mãe estava para lhe dar à luz, ouviu uma música maravilhosa, “não produzida por mãos humanas”. Depois que ele nasceu, sua mãe encontrou uma serpente em seu berço, sendo que a serpente para os hindus é um símbolo da divindade. Desde pequeno, mesmo a sua família sendo carnívora, ele, por conta própria, tornou-se vegetariano. Ainda criança, começou a demonstrar grande amor ao próximo e piedade para com os menos afortunados; vivia trazendo mendigos das ruas para se alimentarem na sua casa. Ainda durante sua infância, afirmava que era acompanhado por um misterioso "espírito amigo", que estava sempre com ele, o alimentava e ajudava em tudo. Ele organizava cultos de adoração na escola onde estudava, reunindo seus colegas em frente a uma imagem divina, sendo que depois desses rituais distribuía a todos o Prasada (alimento abençoado) que tirava, inexplicavelmente, de uma bolsa vazia que sempre levava pendurada no pescoço. Seeeerá??

Aos 14 anos foi picado por um escorpião. Ficou dois dias inconsciente, e quando acordou, começou a comportar-se de maneira estranha. Um feiticeiro foi chamado, e submeteu o garoto aos mais dolorosos processos pra tirar espíritos. Os pais então desistiram de tentar "curá-lo", e após algum tempo ele manifestou o seu real potencial, passando a apresentar-se como Sai Baba.

Interessante observar também que o profeta Maomé, num de seus discursos (intitulado ‘O Oceano de Luz’), previu a chegada de um grande “Mestre Prometido”, cujas descrições combinam bastante bem com Sai Baba:

"Seus cabelos serão espessos, sua fronte será alta e côncava, seu nariz será pequeno com uma ligeira curva, seus dentes da frente serão abertos entre si, não terá barba, mas estará sempre perfeitamente barbeado, terá um sinal lunar na face esquerda, sua vestimenta terá a cor do fogo e usará sempre duas, uma sobre a outra (Sathya Sai Baba usa sempre o "dothi" sob Sua túnica de cor laranja). A cor de seu rosto mudará com freqüência e será luzidia como o bronze, amarela como o ouro, radiante como a lua. Seu corpo será pequeno e Seu ventre será mais evidente com o passar dos anos. Todos os ensinamentos das religiões do mundo estarão em Sua mente e em Seu coração, desde o nascimento. Todas as coisas pedidas a Deus por Seus devotos, o Mestre do mundo as concederá. Todos os tesouros do mundo estarão a Seus pés. Ele presenteará com objetos que terão a forma da luz. Seus devotos se reunirão debaixo de uma árvore. Ele se aproximará de Seus devotos colocando Sua mão sobre a cabeça de cada um deles e, poder vê-Lo, os fará bastante felizes. Ele sairá desta Terra aos 95 anos".


Como se não bastasse, Maomé ainda previu que esse grande mestre viveria sobre uma pequena colina. E previu também que, para que as pessoas não se deixassem enganar, ele faria sair objetos de Suas mãos. - Só pra constar: O Ashram, em Puttaparthi, onde Sai Baba vive, se situa sobre uma pequena colina. Quanto aos objetos saindo das mãos, bem, isto é uma das coisas que Sai Baba mais fez (e faz) durante sua vida, e é também o principal motivo de controvérsia entre os que acreditam nele e os que não...

A principal e mais freqüente materialização realizada por Sai Baba, considerada por devotos e até por alguns pesquisadores como “milagrosa”, é a da “cinza sagrada” chamada “vibhuti”, que supostamente sai de suas mãos nuas, inexplicavelmente. Em diversas ocasiões, como em certos eventos e festas espirituais da Índia, esse material chega mesmo a “jorrar” de suas mãos, como torrentes de água saltando de uma cascata (apesar de que, nesses casos, sempre é colocado um jarro sobre suas mãos, o que impede uma completa visão do fenômeno...).

Além do caso que eu contei no post anterior, o da suposta cura de um câncer maligno por intermédio direto do Sai Baba (que eu pretendo investigar pessoalmente), existem inúúúúmeros casos de acontecimentos inexplicáveis envolvendo seu nome. Se eu resolvesse relatar esses casos aqui, acho que iria precisar de uns cem posts. Pra quem tiver maior interesse no assunto, uma breve pesquisa no Google será mais do que suficiente.

No blog “Saindo da Matrix”, Acid Zero descreve dois casos bem interessantes:

“Lá em Campina Grande soube de duas histórias de pessoas que foram visitar Sai Baba. A primeira é a de um bebê que gostava de ingerir o Vibhuti. Diariamente ela comia um pouquinho. Hoje ela já é adulta e permanece a mesma quantidade de cinzas no potinho (?).

A segunda é mais perturbadora: Em uma excursão que saiu do Brasil, um dos integrantes perdeu seu relógio de ouro inglês. Óbvio que ele ficou P da vida e nem teve ânimo pra ficar junto das outras pessoas que foram ver de perto Sai Baba. Só que, no meio daquele concorrido evento, Sai Baba pede pra falar exatamente com o cara. Surpreso, ele vai até lá e Sai Baba lhe pergunta se ele perdeu o relógio. A pessoa diz que sim, e Baba retira do manto um relógio igualzinho, só que novo. O cara, incrédulo (e desconfiado) diz que não pode aceitar, pois não poderia passar pela alfândega do aeroporto sem a nota desse relógio. Então Sai Baba retira do manto uma nota fiscal de uma loja inglesa. Ainda mais desconfiado, o cara resolve, no outro dia, ir para a Inglaterra, atrás dessa loja. Ela de fato existia, e ao ser questionado sobre a venda do relógio, o vendedor disse que ontem (na mesma hora em que o rapaz estava falando com Sai Baba) veio um homem esquisito, do cabelo grande, comprar o relógio. E que quando saiu, parou e voltou para pedir a nota fiscal...”



Claro que essas histórias todas são extremamente difíceis de se comprovar, e aqui eu prefiro citar um ditado que minha mãe costumava dizer: “O que dizem eu não afirmo!”. Ou seja, eu realmente acho que nesses casos um pouquinho (ou muito) de “pé atrás” é sempre bom.

Eu já tinha ouvido falar muito de Sai Baba, é claro, muito antes de Hana aparecer na minha vida, cantando seus mantras e contando a história da sua ex-professora. Mas, como tudo acontece no momento devido (eu realmente acredito nisso), foi a partir daí que eu resolvi me dedicar a estudar o assunto mais profundamente.

Conhecemos (eu e Hana) o templo da Organização Sathya Sai em São Paulo, que fica no bairro Santa Cecília, na Rua Jesuíno Paschoal. Lá, encontrei pessoas um tanto quanto bem intencionadas, e embora eu não seja místico, acho que posso dizer que senti uma energia muito boa ali. A responsável pelo local, Sra. Regina, nos recebeu e apresentou aos devotos brasileiros residentes em São Paulo. Me chamou bastante a atenção o fato de que um dos freqüentadores, rapaz muito novo, dos seus 17 anos, que dizia sonhar com Sai Baba todas as noites, mesmo sendo louro, usava o cabelo (um tanto quanto peculiar) igual ao do seu mestre: Enorme, despenteado e muito armado, uma das principais características de Sai Baba. A Sra. Regina ainda nos mostrou um quadro que fica na parede principal, representando aquela que seria a encarnação anterior de Sai Baba, sendo que a parte interna do vidro que recobre o retrato, encontrava-se com uma parte completamente tomada por um estranho material cinzento, semelhante a uma espécie de cinza, que ela dizia se tratar de vibuthi, materializado ali milagrosamente. Nesse local os devotos se reúnem, trocam idéias e impressões, compartilham experiências e aprendem sobre a vida, obra e ensinamentos do seu guru. Observação: Sai Baba não se refere a Deus na 3ª pessoa. Ele não diz "Deus é", mas sim ""Eu sou...".

Mas o fator mais decisivo na formação da minha opinião pessoal a respeito de Sai Baba, foi ter assistido a uma palestra do Profº Nelson Marchetti, na “Universidade Livre Holística Casa de Bruxa”, (cidade de Santo André) sobre o tema. Nesta palestra foi contada toda a história da vida de Sai Baba, desde antes do seu nascimento, além de diversos casos de “milagres” realizados por ele, muitos deles envolvendo brasileiros. Foram passados diversos vídeos de alguns desses milagres, além de informações detalhadas a respeito das obras assistenciais de Sai Baba, em especial as Universidades (isso mesmo!) e obras de saneamento que ele mantém em diversas partes carentes da Índia, África e outros países em desenvolvimento. Todos os participantes dessa palestra receberam o vibuthi, inclusive um pequeno pacote cheio da “cinza sagrada” pra levar pra casa. Eu, claro, cheirei e provei o material, que me pareceu muito parecido com pó de incenso queimado, com um leve perfume, e o gosto era de cinza, mesmo.

Mas, sem dúvida, havia um problema: No meio do caminho havia uma pedra. Eu disse que assistir a essa palestra foi decisivo na formação da minha opinião a respeito de Sai Baba, e agora vou explicar porque...

Foi nessa ocasião que primeiro pude assistir a um dos vídeos de um dos supostos “milagres” de Sai Baba. E agora eu preciso contar uma coisa pra vocês, que ainda não sabem sobre mim: Eu já trabalhei como assistente de mágico... Alguém já ouviu falar em "Marco o Mágico"? – pois é, o cara até que é bom, já andou se apresentando em programas como Ana Maria Braga, Gugu e outros do tipo. Ele é um mágico profissional, ou, como prefere ser chamado, um “ilusionista”. E eu, num dos meus muitos períodos de desemprego, me prontifiquei a trabalhar com o cara, auxiliando-o nos shows que faz em buffets, empresas, escolas, condomínios, churrascarias... Meio "micão" mesmo, aquela coisa de ficar todo vestido de preto, fazendo cara de paisagem atrás do mágico, ajudando a guardar os aparatos e disfarçar a atenção da galera na hora de esconder os truques, e coisas do tipo... Nos shows mais elaborados, como os que ele fazia (e faz) em empresas grandes, eu também cuidava da parte de iluminação e sonoplastia. E daí? Bem, já dá pra imaginar. Baseado nos meus conhecimentos em ilusionismo, posso afirmar que boa parte dos supostos “milagres” de Sai Baba são de fato truques de salão. O vídeo em que ele “vomita” um lingam (jóia em formato oval) de ouro, que cai num pano branco que ele tem nas mãos, por exemplo. Pra mim é muito claro que aquilo é um truque de salão muito simples. Basta observar que ele leva o pano à boca, e quando o retira, o ovo já apareceu.

Segue abaixo um vídeo, proibido em diversas partes da Índia, que demonstra claramente diversos dos truques usados por Sai Baba, incluindo o que eu mencionei acima, uma fraude que foi exposta em rede nacional num especial da rede de TV BBC Internacional há alguns anos. Entre diversas fraudes desmascaradas, está a demonstração de que não existe nenhuma "materialização milagrosa" de vibuthi, surgindo “do nada” das mãos de Sai Baba, como se afirma comumente em diversos livros e palestras ao redor do mundo. Sai Baba usa pequenas cápsulas contendo o pó de cinza prensado, que depois de quebrado entre seus dedos, é distribuído entre os crédulos seguidores, que o saúdam de mãos postas...




O vídeo é em inglês, mas não é preciso compreender a língua para entender tudo. Assistam em tamanho ampliado, e observem bem, no final do vídeo, a pequena cápsula contendo o pó compactado, que ele desfaz entre os dedos e depois despeja sobre as mãos de algumas pessoas, fazendo parecer que fora por ele materializada.




Bem... Sim, eu fiquei decepcionado ao constatar a realidade de que Sai Baba, ao menos no que diz respeito aos seus alegados milagres, não passa de um picareta. Me desculpem, vocês que acreditam... Mas essa é a verdade nua e crua. O fato é que essa constatação aconteceu há quase seis anos, e Hana até hoje prefere não comentar muito sobre o assunto... Imagino que para ela tenha sido ainda mais triste. Quanto a mim, eu continuava buscando a Verdade.

Sabe aquela cena do filme “The Matrix” em que o personagem Cypher pede ao agente Smith para voltar à Matrix, mesmo sabendo que ela é apenas uma grande ilusão criada por computador, porque prefere viver na agradável tranqüilidade da ignorância do que encarar a dureza da realidade? Pois é. Eu via e continuo vendo, todos os dias, que essa é a escolha de muitos. E via também que essa nunca seria a minha escolha. Qualquer coisa menor que a Verdade seria insuficiente.


"Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará." - Ev. João, 8:32


Apenas ela, a Verdade.





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