E agora?! - Biografia de J. Krishnamurti

Publicado originalmente por H K Merton em 16 de Janeiro de 2007 às 9:24 PM


Depois dos acontecimentos que eu narrei no post “Sinais”, eu me tornei ainda mais pensativo do que já costumava ser normalmente (se é que isso é possível, Hana que o diga...). Eu tentava entender o ocorrido, tentava articular na minha cabeça o que poderia significar o Sinal que eu havia recebido. Num primeiro momento, como já relatei, eu tentei encontrar alguma explicação natural, lógica. Mas não pude. Para mim estava claro que eu tinha recebido uma resposta, de Deus ou do Universo, para a pergunta que estivera me angustiando. E agora eu precisava entender essa mensagem.

Uma imagem representando Jesus Cristo destruindo, literalmente, uma imagem representando Krishna... Na verdade, em toda minha vida, eu sempre nutri uma devoção especial por Jesus. Apesar de ter freqüentado tantos templos budistas e hindus, na hora da meditação era sempre o nome de Jesus que me vinha à mente. Enquanto as pessoas ao meu lado, na “Self Realization Felowship”, no templo hindu “Sahaja Yoga” ou nos budistas “Soto Zenshu” e “Shi De Choe Tsog” entoavam mantras em línguas estranhas, eu costumava mentalizar um Pai Nosso. Mas a Busca me havia levado para outros lugares, agora, e voltar ao Cristianismo estava completamente fora de questão.

Mas afinal, será que era isso mesmo que eu devia fazer? Voltar ao Cristianismo? Impossível! Pra ser verdadeiramente honesto, tenho que reconhecer: Àquela altura da minha Busca me parecia simplesmente insuportável a idéia de voltar a ser evangélico. Nunca mais seria um “bitolado”, eu resolvera comigo mesmo. E católico, então? Agora eu já conhecia a Bíblia o suficiente pra entender o quanto os católicos são incoerentes. Nenhuma chance...

Mas então, o que queria dizer aquele Sinal? Jesus de pé, Krishna no chão, despedaçado... E isso acontecendo de modo sobrenatural! A interpretação mais óbvia que se poderia fazer, seria: “Deixar o Hinduísmo e as influências orientais (representados por Krishna) e voltar ao Cristianismo”.

Mas não. Não podia ser isso. Inadmissível. Devia haver uma outra explicação!.. E eu haveria de encontrar alguma outra maneira de interpretar esse sinal.

Se é que realmente aquilo tinha sido mesmo um sinal. Só porque não somos capazes de explicar alguma coisa, não significa que não exista alguma explicação natural, certo? E eu haveria de entender. Mas naquele momento me sentia um pouco saturado de tanto conhecer religiões e filosofias novas, sem conseguir jamais encontrar a certeza que eu queria.

E eu sabia exatamente onde “fazer uma parada” pra colocar as idéias em ordem:

“O que procuramos? Procuramos a Verdade, não segundo a crença de vocês ou a minha; porque para encontrar a Verdade em qualquer assunto eu não devo ter crença. Quero encontrar a Verdade. Por isso eu pesquiso, coloco na mesa tudo que diz respeito a uma questão, não me abrigando atrás de nenhuma espécie de preconceito. Diria que eu busco honestamente. Meu espírito é muito honesto, e ao tentar compreender, não me deixaria levar pelo Bhagavad Gita, pela Bíblia ou por meu guru favorito. Eu quero saber e para isso devo ter a intensidade necessária para prosseguir nessa minha tarefa. E o homem que está preso a uma crença, qualquer que seja a extensão da corda que o prende, está retido e por isso não pode explorar. Examinará somente sob o raio da sua servidão e nunca encontrará a Verdade”.

- Jiddu Krishnamurti.


Voltei a ler Krishnamurti. Considerado por muitos estudiosos como um dos maiores filósofos que já viveram em nosso planeta, em todos os tempos; a altura de um Sócrates, um Platão, Aristóteles, Descartes, Hume, Kant... Seu pensamento influenciou de modo indelével a maneira de pensar da humanidade. E isso não é exagero. Sua principal característica era nunca falar sobre onde está a Verdade, mas sim esclarecer, por meio de raciocínio inapelável, onde ela não está. Eliminadas todas as possibilidades de engano, o acertado surge.

Krishnamurti é o tipo de personagem que, por mais que se fale dele, parece que nunca é o suficiente. Por isso mesmo, não vai ter jeito: Pra não ficar uma coisa muito resumida, pela metade, e nem virar um texto gigantesco, o post sobre ele (e sobre o grupo filosófico que se reúne para discutir seus livros e suas idéias) terá que ser concluído numa segunda parte.



>> Para ler a continuação, clique aqui