Chico Xavier: o homem e o mito

Quem foi ele? Santo? Insano? Farsante? Amplie seus conhecimentos...


Os espíritas de todo o Brasil, - e até muitos não espíritas - o consideram o maior "médium" brasileiro, e um dos homens mais "santos" que já pisou o solo deste país. Podemos sem dúvida considerar Francisco Cândido Xavier (1910-2002), mais conhecido como "Chico Xavier", uma das personalidades mais populares e queridas da história recente de nosso país. É comum vermos, na grande mídia, farto material de apologia à sua figura. Diversos especiais de TV, filmes nos cinemas, peças de teatro, uma infinidade de livros, matérias de capa em revistas de grande circulação. A rede Globo de TV, maior do país e uma das maiores do mundo, não se cansa de levar ao ar açucaradas homenagens ao personagem, além de periódicas "reportangens", sempre altamente tendenciosas, carregadas de afirmações indiretas (ou nem tanto) de que Chico Xavier de fato possuía um dom maravilhoso e incomum, e que dedicou toda a sua vida pelo bem da humanidade...

Em minha experiência pessoal, conhecer os livros de Chico Xavier, que também eu, influenciado pela mídia, sempre vira como um exemplo de vida em todos os sentidos, acabou por provocar um efeito contrário ao esperado. Mas não posso dizer que esta foi uma experiência exclusiva minha. Qualquer pessoa que venha a ler a obra dita "psicografada" de Chico Xavier com olhos investigativos, e não com os olhos da credulidade cega, vai encontrar grandes absurdos históricos e claros casos de plágio de autores que ele mesmo declarava admirar. - A obra "Há Dois Mil Anos" é um ótimo exemplo. Faço minhas as palavras do pesquisador José Carlos Ferreira Fernandes:

“'Emmanuel' poderia ter sido tudo, menos um senador romano chamado Públio Lêntulo, contemporâneo de Cristo. Se se trata de uma 'entidade', é uma entidade mentirosa ou galhofeira, não confiável. E como poderia uma entidade assim se impor ao 'maior médium do mundo', e passar as suas mensagens a toda uma comunidade sem que nenhum intelectual espírita exercitasse o lado 'científico' do Espiritismo e as analisasse cientificamente? Sem que nenhum 'espírito superior' sequer se desse ao trabalho de avisar Xavier, ou o próprio meio espírita, que 'Emmanuel' era uma fonte, no mínimo, duvidosa?".

Realmente há problemas muito sérios em várias das obras ditas psicografadas por Chico, como o desconhecimento da construção dos nomes romanos, a aceitação de documentos comprovadamente falsos e até a completa inexistência da entidade que as teria ditado, como no caso de Emmanuel/Públio Lêntulo... Triste, mas é verdade, e qualquer pesquisador sabe disso.

Mas a questão Chico Xavier não se encerra aí. E é fato que é muito raro a grande mídia abordar as diversas facetas desse controverso personagem: existe toda uma outra complexa e rica realidade, bem diferente dessa que estamos acostumados a ver nos meios de comunicação populares, e que pode ser comprovada muito facilmente. Este blog é um veículo comprometido com a Verdade. Longe de querer provocar polêmicas, e com todo o respeito a todos os espíritas, eu não poderia deixar de abordar esses fatos. Para falar de uma personalidade tão conhecida, o bom senso e a boa consciência nos obrigam a abordar o assunto de maneira responsável e imparcial.

Apresento a seguir uma série de fatos a respeito de Chico Xavier que é desconhecida da maioria. Advertimos que todas as questões aqui colocadas são fundamentadas na pesquisa histórica e documentada, e em depoimentos que foram publicados em veículos sérios e respeitados. Você já tinha ouvido falar de algum dos fatos relatados a seguir?


1. Foi comprovado que Chico Xavier usou truques de pirotecnia nos "shows de mediunidade" que promovia no começo de sua carreira.

As fotos ao final deste post retratam algumas dessas exibições. Existem muitas outras, que se encontram facilmente na internet: em salões alugados, ele se sentava em frente a uma cortina, diante da plateia. Luzes piscavam por detrás do pano, e um cheiro de éter enchia a sala. Aos poucos, vultos surgiam atrás das cortinas e Xavier, junto com outros "médiuns", diziam que eram espíritos se materializando... Fotos da revista “O Cruzeiro” (1964) mostram claramente que eram pessoas vestindo lençóis brancos e véus cobrindo a cabeça. Mesmo assim, alguns ingênuos pareciam acreditar na farsa.

O pesquisador Eurípedes Tahan disse que as pessoas da plateia podiam até tocar as tais "entidades" e tirar fotos! Nessa época, "médiuns" e mágicos costumavam viajar pelo país com seus shows. Chico dizia que usava seus "poderes" para materializar os espíritos. Ele ficava sentado e dizia se concentrar, enquanto as “entidades” saíam de trás do pano. Curioso é que as figuras nunca “apareciam” na frente da plateia, como deveriam, se fossem entidades etéreas se materializando. Convenientemente, elas saiam de trás da cortina, como se vê nos shows de mágica mais rudimentares. Anos mais tarde, a farsa foi definitivamente desmascarada, e Otília Diogo, uma das pessoas que se passava por “espírito” chegou a ser presa. Foi com esses shows que Chico começou a se tornar conhecido.


2. O sobrinho de Chico Xavier, numa entrevista ao jornal "O Diário de Minas", confessou que as psicografias do tio não passavam de farsa.

Amauri Pena Xavier, sobrinho de Chico, também se dizia "médium" e afirmava psicografar textos e cartas de pessoas falecidas. Aos 25 anos de idade, sondado por jornalista do referido jornal, ele declarou, textualmente: "Aquilo que tenho escrito foi criado pela minha própria imaginação". Na ocasião, ele também desmascarou o tio famoso, Chico Xavier, dizendo que as cartas "psicografadas" por ele não passavam de fraude: "Assim como tio Chico, tenho enorme facilidade para fazer versos, imitando qualquer estilo de grandes autores. Com ou sem auxílio de outro mundo, ele vai continuar escrevendo seus versos e seus livros". - O mais incrível é que, depois dessa, tanta gente tenha continuado a acreditar nas psicografias de Chico Xavier. Foi nessa época que ele, acuado pelas investigações, saiu de Pedro Leopoldo e foi para Uberaba, local onde o espiritismo se encontrava em expansão, onde recebeu apoio.


3. Em 1971, o repórter José Hamilton Ribeiro, da revista Realidade, visitou as sessões de psicografia de Chico, e denunciou que ali aconteciam truques para impressionar os mais crédulos.

Declarou o repórter: "Meu fotógrafo viu um dos assessores de Chico levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar". Chico era famoso pelo perfume que parecia surgir "do nada" em meio às sessões de “psicografia”. - "As pessoas pensavam que o perfume vinha dos espíritos", completou Ribeiro.


4. Em muitos livros de Chico Xavier, especialistas encontraram casos claros de plágio de obras literárias publicadas por diversos autores.

O pesquisador especializado Vitor Moura (que é espírita), criador do website Obras Psicografadas, comparou trechos dos livros ditos psicografados por Chico com livros de outros autores e descobriu evidências inquestionáveis. Um dos casos mais impressionantes é o da cópia quase literal de trechos da obra "Vida de Jesus", do filósofo Ernest Renan, no livro "Há dois mil anos", que Chico afirmou ter sido psicografado pelo "espírito Emmanuel". - Leia os artigos completos aqui.


5. Já foi definitivamente comprovado pela pesquisa histórica que o tal “Públio Lentulus”, que Chico descreveu como "procurador da Judéia do tempo de Jesus" em seus livros, e afirmou tratar-se de um dos seus orientadores espirituais, nunca existiu.

Historicamente não se conhece nenhum senador de Jerusalém ou procurador da Judéia cujo nome tenha sido “Públio Lentulus”. Além disso, os nomes, datas e detalhes que constam na obra de Chico são totalmente incompatíveis com os fatos históricos. Para saber detalhes, acesse Obras Psicografadas aqui.


6. Apesar de muitos pensarem que Chico Xavier dizia detalhes sobre os entes queridos falecidos das pessoas que o procuravam, que ele não teria como saber, a verdade é que ele dava um jeito de conseguir esses dados, e sem nenhuma ajuda de espíritos.

O próprio Waldo Vieira, médico que foi uma espécie de sócio de Chico por quase duas décadas (desde o tempo dos ‘shows de mediunidade’), declarou o seguinte: "Funcionários do centro espírita iam às filas pegar detalhes dos mortos. Ou aproveitavam as histórias relatadas por parentes nas cartas em que pediam uma audiência. O que as mensagens de Chico continham eram essas informações". Chico ou seus assessores faziam uma entrevista com as famílias que participariam das sessões de "psicografia". O engenheiro Maurício Lopes conta que quando seu irmão de 9 anos foi morto num atropelamento, sua família procurou Chico atrás de ajuda. Ele diz: "Chico perguntou à minha mãe detalhes da morte e nomes de parentes, e tudo isso foi citado na carta, depois". Abaixo, um impressionante vídeo onde o próprio Waldo Vieira conta detalhes a esse respeito (ele fala também sobre os truques das aparições):



7. A teoria de que Chico Xavier, sendo semi-analfabeto, não teria como escrever seus livros, é completamente falsa.

Chico não foi longe na escola, mas era autodidata. Ele sempre estudou muito por conta própria, e lia muitíssimo. Colecionava recortes de textos e poesias, comprava livros e mais livros e montou uma biblioteca particular (preservada até hoje em Uberaba), com obras em inglês, francês e hebraico! Nessa coleção estão os livros dos autores que ele dizia "receber do além” para escrever seus próprios livros, como Castro Alves, Humberto Campos e outros...


8. Apesar de o espiritismo se declarar uma “ciência”, Chico Xavier se recusava a permitir que cientistas estudassem seus alegados poderes. Ele dizia que seu "guia" não permitia. Mas o que ele temia?

E se as suas habilidades fossem verdadeiras, as pesquisas só poderiam demonstrar a veracidade dos fenômenos e ajudar na divulgação do espiritismo, não é mesmo?


9. Otília Diogo era uma charlatã que se cobria com lençóis para se passar pelo espírito "Irmã Josefa" nos "shows de mediunidade" de Chico Xavier e Waldo Vieira. Ela foi enquadrada e presa anos depois.


10. O repórter Hamilton Ribeiro foi até Uberaba e desmascarou as mensagens ditas psicografadas de Chico, de maneira muito simples:


Ele inventou nome e endereço falsos e os entregou a Chico, se passando por crédulo e pedindo uma psicografia. Na edição de novembro de 1971 da revista Realidade, ele publicou a conclusão do seu experimento: "Receita psicografada: do pedido que fiz hoje, em nome de ‘Pedro Alcântara Rodrigues, da Alameda Barão de Limeira, 1327, apto 82 - São Paulo’ (dados falsos), me veio a orientação espiritual: ‘Junto aos amigos espirituais que lhe prestam auxílio, buscaremos cooperar espiritualmente em seu favor. Jesus nos abençoe...’”(!) Mas como?? Não existia ninguém com aquele nome, nem naquele endereço, era tudo inventado! Sim, mas os “espíritos” que “assistiam” a Chico Xavier se comprometeram a auxiliar essa pessoa de mentira nos planos espirituais.


Amigos deste blog, acabo de deixar alguns fatos comprovados. Não se tratam de opiniões ou considerações minhas, mas de fatos. Que cada um tire as suas próprias conclusões. Encerramos o assunto com a exortação de nosso Mestre maior: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mateus 11, 15). - E quem tem olhos para ver...








Acima, algumas das fotos publicadas nas revistas "O Cruzeiro", "Realidade" e outras, mostrando o jovem Chico Xavier ao lado dos “espíritos materializados” nos shows de mediunidade que promovia no início de sua carreira. Entre estes, o "espírito" de “Irmã Josefa”, que era, na verdade, a charlatã e golpista Otília Diogo vestindo panos brancos: ela foi desmascarada e presa em 1970 (publ. ‘O Cruzeiro’). Por que é tão raro ver fatos como estes nos especiais de TV sobre Chico?

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Fontes e bibliografia:
QUEVEDO, Oscar González. Os mortos interferem no mundo?: tratado; 5 vol. São Paulo: Loyola, 1992, pp. 32-35;
REVISTA SUPERINTERESSANTE. São Paulo: Editora Abril, ed. 277, pp. 50-60, abril 2010;
OBRAS PSICOGRAFADAS. Disponível em: Acesso em: 04 abril 2010.


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