Esse menino é meio diferente...

Publicado originalmente por H K Merton em 11 de Maio de 2006 às 7:10 PM

Depois que eu descobri que a minha vida simplesmente não seria eterna, - como eu até então subentendia, - passei a interrogar meus pais, que eram a única fonte de conhecimento a que eu podia recorrer. Mas, como já disse antes, essa fonte de conhecimento era absolutamente ineficiente, porque eles (meus pais) muito cedo me deixaram claro qual seria a sua postura sobre este tema: "simplesmente não nos importamos". Mal sabia eu, então, que seriam eles os primeiros de muitos que me decepcionariam nesse sentido. Mas pelo menos uma coisa eu pude arrancar de minha desinteressada mamãe: ela me esclareceu que a minha única ajuda possível, nessa área, só poderia vir do "Papai do Céu".

_______Saber isso não era o bastante, mas quando eu insistia em obter mais informações, era invariavelmente ignorado. As únicas respostas que eu conseguia eram do tipo: "Isso é assim porque é, e pronto!", ou: "Você ainda é muito pequeno para ficar pensando nisso", e "Fica tranquilo que ainda vai demorar muito para chegar a sua vez de morrer!". Não preciso dizer que esse tipo de argumento não me convencia nem tranquilizava, nem um pouco.

_______Bem, então, se eu não podia mesmo contar com os humanos, resolvi voltar-me para o misterioso "Papai do Céu" de uma vez. Sim, minha mãe já me havia falado sobre Ele, mesmo antes da minha fatídica descoberta da existência da morte. Já me fizera até (algumas vezes, esporadicamente) ajoelhar aos pés da minha cama para repetir: "Pai nosso que estais no Céu..."

_______Eu não entendia nada do que estava dizendo, mas, por algum motivo que mesmo hoje não sei explicar, era bom... Às vezes também me ensinava a rezar para o meu anjo da guarda: "Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador..." E por isso tudo, eu imaginava que havia, sim, uma Força Maior, além do meu mundinho de coisas tangíveis, que poderia me dar todas as respostas. Assim, de quando em quando, eu me largava quieto num canto, a pedir a Deus que me desse a vida eterna... Às vezes, ficava por horas (não é exagero) olhando para o nada, absorto de tudo à minha volta. Minha mãe comentava com minhas tias: "Esse menino é meio diferente...". Eu ainda tinha 4 anos de idade.

_______Agora que comecei a narrar a minha vida de buscador, desde o início, me lembrei de um fato que me aconteceu um pouco depois desse período, quando eu tinha já entre 5 e 6 anos de idade. Melhor dizendo, me lembrei do que ouvi minha mãe me contar, muitas vezes. Conta ela que, numa certa madrugada, foi despertada por um som de extrema beleza, como se fosse o cântico de um anjo... Levantou a cabeça do travesseiro para ouvir melhor, imaginando que talvez o som viesse da TV ou algo assim. Mas logo percebeu que não poderia ser isso, porque o que ela ouvia era (palavras dela) "um cântico realmente sublime, que parecia celestial". Chacoalhou meu pai, que despertou e também ficou atônito ao ouvir a música. Segundo ele, era "um cantar de extrema suavidade, meio hipnótico, sobrenatural". Levantaram-se e caminharam, pé ante pé, para a direção de onde parecia vir o som: o meu quarto. Abriram a porta com cuidado, e viram algo que nunca mais esqueceriam. O relato de minha mãe diz que

"Ele estava deitado em sua cama, de barriga para cima, com uma expressão de serenidade absoluta e, no meio da penumbra, cantava com uma voz que, sem nenhuma dúvida, não era a sua voz habitual. Com harmonia indescritível, e um timbre como que celestial, ele cantava, ou dos seus lábios saía, a música mais maravilhosa que eu jamais tinha ouvido. Não sei dizer nada sobre o que dizia, não dava para entender o que era cantado. Só sei que era maravilhoso." (Sra. Marlene K Merton)

_______No dia seguinte, me perguntaram se me lembrava de alguma coisa. Eu não me lembrava de nada, e não dei maior atenção à história, que eles me contaram com olhos marejados. Nunca atribuí maior importância a esse fato, mas resolvi registrá-lo, aqui, porque imagino que se algo parecido me acontecesse hoje, ou com alguém que conheço, eu certamente ficaria intrigado. Acharia, no mínimo, interessante.

_______No mais, minha vida seguiu sem grandes novidades até os meus 11 anos, quando algo muito importante aconteceu.


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