De volta ao espiritismo - parte 4

Publicado originalmente por H K Merton em 13 de Outubro de 2006 às 12:14 PM

Ainda não havia desistido de conhecer a religião espírita na prática. Na teoria, como já disse, eu conhecia mais que o suficiente. Como também já disse, algumas das pessoas mais interessantes que eu conheço são adeptas da fé espírita. Além disso, a idéia de uma religião que associa ciência e fé era para mim por demais atrativa. Na primeira parte desse post eu narrei minha visita a um centro espírita filiado à FEB, onde vivi uma experiência extremamente desanimadora. Imagino que muitos teriam desistido ali mesmo, formado um conceito negativo e se afastado de uma vez por todas desse caminho. Mas não eu. Na minha segunda incursão por este terreno tão misterioso, conheci um outro centro, dirigido por um “médium” charlatão, o que me fez entender o quanto é fácil usar a fé das pessoas contra elas mesmas. Mas eu ainda não tinha me dado por vencido. Resolvi partir para uma experiência que seria decisiva. Depois dela, eu seria capaz de chegar a conclusões definitivas sobre o assunto. Resolvi conhecer aquele que é considerado o maior centro espírita aqui de São Paulo e um dos maiores do Brasil, em todos os sentidos; fundado e liderado por uma das médiuns mais respeitadas, iniciada por Chico Xavier em pessoa: O Centro Espírita Perseverança, fundado e dirigido por Da. Guiomar Albanese.

Mas, antes de contar como foi... gostaria ainda de tratar de algo importante, que me aconteceu, relacionado diretamente ao tema espiritismo. Sei que eu havia dito que esta parte seria a conclusão do post. Mas existe essa outra experiência importante porque passei, da qual achei que realmente seria relevante falar. Sinto que devo publicar mais esse, antes do post conclusivo de “De volta ao espiritismo”. Pra compensar o atraso, tentarei postar a conclusão amanhã mesmo. Serei o mais breve possível nesse relato, porque pretendo concluir logo esse grande post. Aí vai:

Quando comecei a freqüentar a FEESP (Federação Espírita do Estado de São Paulo), assistindo palestras e fazendo cursos, como o de "Introdução ao Espiritismo" e "Mediunidade" e o de “Estudo do Livro dos Espíritos”, conseqüentemente fiz algumas amizades. Uma destas pessoas, sabendo que eu gostava de escrever e que tinha vários textos prontos sobre assuntos de espiritualidade, me recomendou uma editora espírita, que ficava justamente na região central de São Paulo, próxima a própria FEESP. Por um tempo refleti sobre o assunto. Mas, afinal, ter um livro publicado era um antigo sonho de adolescente, e assim, resolvi conhecer a tal editora. Entrei em contato por telefone e agendei horário para uma entrevista com o editor. No dia e horário marcados, fui até o local levando comigo uma pilha de folhas com textos em formato padrão. Bom, eu sempre escrevi muito, muito mesmo, desde a minha adolescência, e principalmente depois de começar a praticar meditação transcendental; quase sempre sobre temas espiritualistas: pequenos contos metafóricos, relatos de experiências interiores profundas, poesia, etc. Então não foi difícil fazer uma coletânea de alguns desses textos, os que eu achei mais interessantes, pra levar ao editor.

Chegando no lugar, uma grande casa onde funcionavam gráfica, livraria e um pequeno escritório editorial, fui recebido com muita atenção e cordialidade (o que não acontece normalmente em outros tipos de editora, isso eu sei). O tal editor (cujo nome não me lembro, e cujo cartão eu não acho), me pediu alguns minutos para analisar o material. Eu concordei e fiquei esperando. Depois de uns quinze ou vinte minutos, ele retorna com um grande sorriso no rosto e fala: “O material é ótimo! Podemos publicar, com boas chances de lucro! Esses lucros são modestos, a princípio, mas se com o tempo você se tornar um autor conhecido no meio espírita, aí já começa a se tornar possível viver só de escrever...” Eu assenti com a cabeça, animado, mas ponderei que o meu tipo de literatura na era necessariamente espírita, mas sim espiritualista, e que eu não tinha a intenção de me prender a nenhuma corrente religiosa ou filosófica. A resposta foi imediata: “Olha, eu só posso publicar os seus livros se você me disser que eles são psicografados. Eles foram psicografados, certo?”...

Bem, não preciso contar o final dessa história. Eu nunca psicografei nada. Meus textos foram escritos por mim mesmo. Euzinho da silva, e acho que ainda estou bem vivo.

Mas o que eu sinto que preciso dizer aqui, mesmo, é que se eu tivesse dito, ali naquele momento, que sim, que eu tinha "recebido" os livros por meio de psicografia, que o autor era alguém desencarnado há muito tempo... Bem, talvez hoje eu fosse um escritor espírita conhecido, vendendo muito e vivendo desse tipo de literatura. Bastaria eu ter dito: “Sim, esses textos são todos psicografados” (Imaginação para inventar um autor desencarnado interessante não me falta).

Até hoje, quando entro numa bookstore e vejo aquela estante enorme da sessão espírita, repleta de livros ditos psicografados, eu penso nisso. E eu também tento entender: Porque as palavras de alguém que já morreu devem ser consideradas mais importantes do que as de alguém que está vivo, pensando e existindo no aqui-agora? Na prática, é isso que acontece.

No próxima, quinta e conclusiva parte desse post: Dona Guiomar e o Perseverança. Não percam a fé...



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